Os resultados preliminares analisados pela Agência Europeia do Medicamento (EMA) não permitem estabelecer relação entre a vacina contra a gripe A e o aparecimento de um distúrbio do sono, a narcolepsia.
A EMA reviu uma investigação finlandesa sobre as diferentes respostas às várias marcas de vacinas contra a gripe A, para perceber se existia uma “potencial causa para o desenvolvimento da narcolepsia em indivíduos vacinados com Pandemrix”, avança uma circular informativa da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed).
A investigação europeia permitiu que o Comité de Medicamentos de Uso Humano concluísse que os actuais dados são “insuficientes para elaborar conclusões, não havendo, assim, indicação para quaisquer novas medidas relativamente à Pandemrix ou a outras vacinas, incluindo outras vacinas para a gripe”. Ainda assim, o comité sugere que a farmacêutica continue a investigar outras possíveis causas que possam associar a toma da vacina com o aparecimento da doença.
As pessoas com narcolepsia adormecem de forma repentina e sem aviso. A causa da doença é desconhecida mas está associada a uma combinação de factores genéticos e ambientais.
30 milhões de vacinados
A Pandemrix, do laboratório britânico GlaxoSmithKline, foi a marca escolhida por Portugal em 2009 para combater a pandemia do vírus da gripe A (H1N1). A vacina foi administrada a mais de 30 milhões de pessoas em 47 países, mas actualmente já não está disponível na União Europeia. Ao todo foram reportados mais de 160 casos de narcolepsia entre os vacinados, um dos quais em Portugal.
A vacina é composta por um antigénio e um adjuvante misturados na altura em que são administrados. Em causa estavam dúvidas sobre os efeitos de uma das substâncias do adjuvante no sistema neurológico das pessoas a quem foi depois diagnosticado o distúrbio do sono. A substância em causa foi encontrada em um quarto dos indivíduos que desenvolveram a doença depois de terem sido vacinados. O adjuvante potencia o efeito da vacina no sistema imunitário.
No final de 2011, investigadores finlandeses tinham confirmado uma ligação entre a vacina Pandemrix e o aumento do número de casos em crianças e adolescentes de narcolepsia. Segundo os cientistas, os doentes entre os quatro e os 19 anos que receberam esta vacina registaram 12,7 vezes mais casos de narcolepsia do que os que não receberam a vacina, sublinha o estudo, que, contudo, revela que quem desenvolveu a doença tinha uma predisposição genética para ela.
Na altura, a EMA decidiu confirmar a relação de risco-benefício da vacina em maiores de 20 anos, mas foi recomendado que a vacina não seja dada a até à faixa dos 19 anos sempre que haja outra marca disponível. “Dados obtidos em alguns países da União Europeia demonstraram um aumento do risco de narcolepsia em crianças e adolescentes associado à Pandemrix. Este risco não foi confirmado em todos os países mas não pode ser completamente excluído”, explica o Infarmed.

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