O reitor da Universidade de Coimbra (UC), João Gabriel Silva, desvalorizou esta quinta-feira a gravidade da invasão do edifício da reitoria por um grupo de jovens, no momento em que decorria a reunião entre o responsável máximo da UC e os representantes da Direcção-Geral da Universidade de Coimbra (DG/AAC) e dos núcleos de estudantes das várias faculdades.
“Não havia necessidade disto, porque eu recebo toda a gente”, afirmou, frisando também que “o desagrado face ao Orçamento do Estado para 2013 é comum aos alunos e aos reitores”.
João Gabriel Silva — que foi, a seguir, ao encontro do grupo que protestava já fora de portas — comentou a acção nacional de luta de estudantes do superior, frisando que, “no contexto actual, foi positiva a redução dos cortes a um quarto do previsto”.
“Não estamos satisfeitos, sabemos que teremos de cortar nalguns sectores, mas creio que vamos conseguir que a qualidade de ensino não seja afectada”, disse.
Em declarações ao PÚBLICO, o reitor da UC sublinhou que isso obrigará a outros cortes e a esforços acrescidos. “Por exemplo: não estamos a substituir os professores que se vão aposentando, o que representa que os que estão no activo terão de fazer um esforço acrescido”, apontou.
Segundo a agência Lusa, estavam na manifestação em Coimbra contra o Orçamento do Estado cerca de 300 estudantes quando alguns, que identifica como pertencendo ao Conselho das Repúblicas, subiram a escadaria. Alguns carregaram um caixão que simbolizava a morte do Ensino Superior, ao mesmo tempo que exigiam a presença do reitor, que se encontrava reunido com o presidente da DG/AAC e os representantes dos núcleos.
Aquela acção foi criticada pelo dirigente da DG/AAC, Ricardo Morgado, que acusou “o Conselho das Repúblicas e os movimentos extremistas de estudantes com conotações partidárias de tentarem usar” a associação que dirige “como veículo para os seus protestos”.
“Somos irreverentes, mas não protestamos por protestar, mas em busca de soluções”, disse ao PÚBLICO. Sublinhou que continua “preocupado com as consequências dos cortes no orçamento do Ensino Superior”, mas “satisfeito com a garantia do reitor de que os serviços de Acção Social não serão afectados” e “com a abertura" manifestada por João Gabriel Silva para," mais tarde, discutir a possibilidade de vir a congelar o valor das propinas”.

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