A Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos (Murpi) concentra-se nesta sexta-feira em frente ao Ministério da Solidariedade e Segurança Social, em Lisboa, para contestar os “cortes brutais” nas reformas.
A manifestação, que decorre paralelamente em Setúbal, Beja, Évora, Coimbra e no Porto, ocorre no dia em que as reformas deverão ser pagas e os idosos “vão verificar os cortes brutais nas suas pensões”, disse o presidente do Murpi.
Casimiro Menezes sublinhou a “necessidade de sinalizar esse dia, como um dia de protesto contra as medidas de Governo que empobrecem cada vez mais os reformados, pensionistas e idosos e criam mais dificuldades no seu dia-a-dia”. Estas dificuldades reflectem-se no acesso aos cuidados de saúde, na mobilidade dos idosos, devido ao corte no subsídio do transporte, na “falta de qualquer tipo de apoio social e também na retirada de pequenos complementos solidários, que tentavam reduzir a intensidade da pobreza entre os idosos”, adiantou.
O Murpi tem recebido várias queixas, a maioria relacionada com a “sobrevivência alimentar de muitos idosos, que recorrem aos bancos alimentares e à sopa dos pobres, e com a saúde”. “Muitos idosos ficaram sem isenção das taxas moderadoras e sofreram uma redução na comparticipação dos medicamentos, tendo de gastar mais dinheiro para adquirir os medicamentos, o que leva muitos deles a desistirem de os comprar”, sustentou o presidente da confederação. Por outro lado, a falta de vigilância nas consultas “agrava a situação de vida e de saúde dos idosos”, 80% dos quais sofrem de doenças crónicas.
Durante o protesto, os reformados vão entregar uma carta aberta dirigida ao ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares, em que afirmam que, ao “fim de uma longa carreira contributiva” merecem, “justamente, o direito à reforma e a uma pensão digna”.
Na carta, apelam ainda à tomada de “medidas urgentes para combater esta calamidade social”, nomeadamente a reposição dos rendimentos retirados pelas medidas orçamentais, a actualização dos valores das pensões, a abolição das taxas moderadoras, a reposição de 50% de desconto nos passes sociais aos reformados e a “revogação urgente da lei do arrendamento urbano e da legislação complementar”.
O Murpi estima que participem na mobilização “entre três a cinco dezenas de pessoas”. “Sabemos das dificuldades que os idosos e muitos reformados têm em deslocar-se para o centro de Lisboa, porque os transportes são caros e não têm passes sociais”, comentou Casimiro Menezes.

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