Maria Luísa Costa colocou, esta quinta-feira de manhã, uma cadeira cinzenta em frente ao Centro Distrital do Porto da Segurança Social e sentou-se. Está preparada para ficar ali horas, dias, a “pão e água”, a exigir um acordo que viabilize um Centro de Apoio à Vida.
A Socialis – Associação de Solidariedade Social, a que preside, presta diversos serviços de infância e juventude na Maia.
Só o Centro de Apoio à Vida acompanha 127 pessoas – raparigas grávidas ou já mães e suas crianças.
A estrutura funciona há seis anos. Ali mesmo, Maria Luísa Costa tem fotografias da inauguração: Luís Cunha, então director do centro distrital; Bragança Fernandes, presidente da Câmara da Maia; e outras figuras do concelho. São dois apartamentos, ligados, num terceiro andar.
A comparticipação da Segurança Social fica-se pelos 9.669,07 euros para 85 pessoas – dez internas e 75 externas. Pelas contas de Maria Luísa Costa, são 239 euros por cada interna e 97 por cada externa. Há dois anos que é assim, desde que terminou o projecto específico “Semente” e que a valência passou a ser financiada através de um acordo atípico.
Para cobrir despesas, a associação tem recorrido ao dinheiro que andava a poupar para ter instalações próprias – não cedidas, como agora. Vários elementos têm também recolhido bens e angariado fundos. A primeira estratégia, diz, esgotou-se: ou a Segurança Social aumenta a comparticipação por cada pessoa acolhida ou o centro de acolhimento fecha. Sexta-feira terminam os contratos das dez trabalhadoras.
Apesar das várias tentativas, não foi possível falar com o director distrital. Os serviços de relações públicas remeteram para declarações já prestadas por aquele responsável. Segundo a agência Lusa, Sampaio Pimentel acusou a associação de má gestão financeira e de ter recebido verbas para um serviço de alojamento que desde Abril não tem utentes.
A última rapariga saiu em meados de Abril, levando o seu bebé, confirma Maria Luísa Costa. “Aproveitamos para fazer uma remodelação.” Há seis anos que não faziam reparações. A assistente social, de 56 anos, indigna-se com as considerações sobre a sua gestão. Afiança que outras entidades recebem mais para prestar o mesmo serviço.
Nos últimos tempos, a dirigente terá reforçado as tentativas de resolver a situação. “Fiz tudo o que pude. Pedi audiências, aqui, na Segurança Social do Porto. Não há abertura. Quando se propõe a renegociação, reagem com arrogância.” Ficar a pão e água ali, o tempo que fosse preciso, era a sua última arma.
Esta quinta-feira à tarde, em volta dela estavam três funcionárias e uma rapariga, que tem sido apoiada ao longo de vários anos. Outras por ali passaram durante a manhã. Ela trouxera um cobertor, uma almofada e umas pantufas para passar a noite no carro, estacionado em frente ao centro distrital. Já se imaginava a despertar ali na manhã de sexta-feira.
Notícia alterada às 19h34: Texto da Lusa substituído por texto do PÚBLICO.

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