Portugal é o país europeu onde o abandono escolar mais caiu

Comissão Europeia vai avaliar medidas adoptadas por cada Estado-membro para alcançar as metas estabelecidas.

Portugal é o país da União Europeia (UE) com maior redução do número de jovens a abandonar os estudos, aponta um relatório do Eurostat divulgado nesta quinta-feira. Esta melhoria não é, contudo, suficiente para que Portugal descole do fundo da tabela dos países com maior número de jovens sem o ensino secundário completo, onde ocupa agora o 3.º lugar.

Segundo o relatório do gabinete oficial de estatísticas da UE, referente a 2012, Portugal foi o país que mais se destacou ao conseguir um “notável decréscimo” no número de jovens entre os 18 e os 24 anos que não concluíram o ensino secundário. Os dados indicam que, entre 2005 e 2011, o país conseguiu reduzir essa taxa de 38,8% para 20,8%. O relatório denota, no entanto, que o país foi aquele que, em 2010, partia com o valor mais elevado entre os 27 estados-membro. Entre 2011 e 2012, verificou-se uma redução na ordem dos 2,4%, a mais alta entre os 27 Estados-membros da UE.

Apesar dos progressos, Portugal continua a estar ainda longe da meta nacional de 10% de taxa de abandono do secundário pretendida para 2020 — os 20,8% atingidos em 2012 são o dobro dessa fasquia. Espanha, com 24,9%, e Malta, com 22,6%, eram os únicos países europeus que, no último ano, tinham pior performance que Portugal. Já os jovens eslovenos, os eslovacos e os checos são os que menos abandonam o ensino.

A nível europeu, o número de jovens que abandonam o sistema de ensino sem o 12.º ano completo tem vindo a diminuir, com um decréscimo, entre 2010 e 2012, na ordem dos 1,2%. As únicas excepções são a Polónia e o Reino Unido. No ano passado, 12,8% dos jovens europeus estavam naquela situação, acima da meta de 10% fixada para o conjunto dos países da União.

O relatório revela também que são os rapazes os que mais dificuldades sentem em terminar os estudos. Por cada 100 rapazes europeus que não terminam a escolaridade obrigatória, há 76 raparigas que desistem da escola. Em Portugal, os números são mais baixos: 53 raparigas por cada 100 rapazes.

Mais diplomados
O cenário português repete-se quando em causa está o número de pessoas entre os 30 e os 34 anos que completaram o ensino superior. Entre 2010 e 2012 houve um aumento do número de portugueses diplomados, na ordem dos 3,7%. Porém, os 27,2% atingidos no último ano ainda não são suficientes para alcançar a meta nacional de 40% de jovens diplomados. Esta percentagem deixa Portugal no último terço dos países europeus com maior número de jovens diplomados, onde ocupa agora o 19.º lugar entre os 27 Estados-membros da UE.

São 12 os países que superam a meta europeia delineada para 2020, de pelo menos 40% dos europeus com formação superior. A Irlanda, com 51,1%, está no topo da tabela, acompanhada de Chipre, com 49,9%, e o Luxemburgo, com 49,6%. Já Malta, Roménia e, em último lugar, Itália, com apenas 21,7%, são os países com menor número de diplomados.

A nível europeu, em 2012, por cada 100 homens que tiraram um curso superior houve 127 mulheres que o fizeram. Em Portugal, esse ascendente feminino confirma-se: por cada 100 homens com formação universitária, há 124 mulheres que se diplomaram.

 

 

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