A suspeita de prática de crimes contra pessoas, designadamente “de abuso sexual de incapazes e de pessoa internada”, e de crimes patrimoniais e de natureza fiscal levaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) a abrir três inquéritos à Ordem Hospitaleira de São João de Deus. A confirmação foi feita nesta quinta-feira, em comunicado.
Segundo a PGR, foram recebidas denúncias de factos susceptíveis de enquadramento criminal, as quais foram remetidas ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal que, depois de analisar a informação, decidiu abrir os três inquéritos. Os factos terão ocorrido em estabelecimentos da ordem no Telhal (Sintra), Montemor-o-Novo e Portalegre. Um quarto inquérito, relativo a suspeitas nos Açores, tinha já sido arquivado.
A mesma nota da PGR lembra que está em curso no Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa um outro inquérito, que teve origem em declarações recentes da ex-provedora da Casa Pia de Lisboa Catalina Pestana. “Sei que há casos de pedofilia. Só na Diocese de Lisboa, conheço cinco”, disse ao PÚBLICO Catalina Pestana no sábado, 8 de Dezembro, depois de afirmar não estar surpreendida com a detenção de um padre, no Fundão, suspeito de abuso sexual de menores.
A PGR informa que alguns destes processos “poderão vir a ser unificados, se tal se justificar em razão da natureza dos bens jurídicos em causa e das regras de conexão processual”.
Em 2010, uma mensagem de correio electrónico não identificada foi enviada para cerca de 300 endereços de email e denunciava abusos sexuais e outras irregularidades alegadamente cometidas por membros da Ordem Hospitaleira de São João de Deus, em Portugal. A 8 de Setembro desse ano, o PÚBLICO noticiava que estava a decorrer uma investigação interna que envolvia um religioso de 49 anos. Há uma semana, o Expresso deu conta de que o núncio apostólico em Lisboa, D. Rino Passigato, terá, ele próprio, em 2011, interrogado vários membros da ordem. Um segundo inquérito, ainda em 2011, terá sido conduzido por um enviado do Vaticano, o responsável máximo da ordem em Roma, Donatus Forkan.

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