O número de nascimentos em Portugal continua a baixar, acentuando a tendência que tem verificado nos últimos anos. Este ano, até ao final de Agosto nasceram menos 5235 bebés do que em igual período do ano passado, segundo dados do rastreio neonatal.
Laura Vilarinho, responsável da Unidade de Rastreio Neonatal do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), revelou à Lusa que até ao final de Agosto tinham nascido 59.603 crianças. Nos primeiros oito meses do ano passado, o número de nascimentos foi de 64.838, o que indica uma diminuição de 5235 crianças.
Esta descida, que Laura Vilarinho classifica de “brutal”, acentua a diminuição de nascimentos que tem vindo a registar-se nos últimos anos. Em 2011, a barreira dos 100 mil nascimentos não foi ultrapassada em Portugal, situando-se nos 97.200. No ano anterior, tinham nascido 101.381 crianças.
Laura Vilarinho acredita que, a continuar esta tendência de diminuição, dificilmente os nascimentos irão muito além dos 90 mil este ano.
Esta contabilidade é feita através do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce, conhecido como o “teste do pezinho” e que consiste no rastreio a 25 doenças através de uma amostra de sangue. A amostra de sangue é colhida no pé da criança entre o seu terceiro e sexto dia de vida.
O relatório do Observatório das Famílias e das Políticas de Família, apresentando em Julho, já alertava para a possibilidade de atingir mínimos históricos em termos de natalidade e confirmava tendências que não são de agora: diminuição da dimensão média das famílias, aumento das pessoas sós e das famílias monoparentais e recompostas, menos casamentos, mais divórcios, elas a dedicarem mais horas ao trabalho doméstico que eles. Em 2011, a dimensão média das famílias era de 2,6 pessoas.

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