Mulher de Vale e Azevedo confirma acusação de cúmplice em burla qualificada

Vale e Azevedo, em Novembro deste ano, depois de ser extraditado de Inglaterra Daniel Rocha

A mulher de João Vale e Azevedo confirmou neste sábado estar acusada de ser “cúmplice material de um crime de burla qualificada”, num processo que envolve o marido, mas diz que está de “consciência absolutamente tranquila”.

Filipa Azevedo reagia assim à Lusa a uma notícia divulgada pelo “Correio da Manhã”, segundo a qual o antigo presidente do Benfica e a mulher foram acusados pelo Ministério Público (MP) por burlas e falsificações de documentos.

“Confirmo que no passado dia 19 de Dezembro fui surpreendida com uma acusação de ser cúmplice material de um crime de burla qualificada num processo que envolve, para além do meu marido João Vale e Azevedo, factos, pessoas e empresas que desconheço em absoluto”, afirma Filipa Azevedo numa nota enviada à Lusa.

A mulher de Vale e Azevedo lamenta o facto de o jornal dar a acusação como um dado adquirido “sem direito a defesa ou julgamento em local próprio”.

“É muito triste viver num país onde não há presunção de inocência, onde os cidadãos são acusados na praça pública para quando eventualmente chegarem a tribunal já a cabeça das pessoas (os juízes são pessoas) estar cheia de ideias feitas”, sustenta.

Filipa Azevedo diz estar de “consciência absolutamente tranquila”, que não fez nada de errado e não praticou nenhum crime, “como aliás resulta da própria acusação que não imputa nenhum facto em concreto”.

“Manter-me-ei firme e determinada na defesa da minha pessoa e do meu bom nome”, acrescenta na nota.

Segundo o “Correio da Manhã”, Vale e Azevedo, a mulher e dois amigos franceses utilizaram alegadamente falsas garantias bancárias para obter empréstimos e garantir cauções aos tribunais.

Vale e Azevedo “apoderou-se de mais de mais de um milhão, mas não conseguiu o golpe final porque o BPN e o BCP não caíram no engodo. Junto do primeiro banco queria obter 25 milhões de euros, do segundo 12,5 ME”, escreve o diário, adiantando que o irmão, o sobrinho e o cunhado de Vale e Azevedo também foram enganados.

Segundo o despacho do Ministério Público citado pelo jornal, o esquema começou a ser montado no início dos anos 2000 e com ele Vale e Azevedo e a mulher conseguiram pedir vários empréstimos com base em garantias que não existiam e mantiveram a vida de luxo que lhes permitiu até viver vários anos em Londres, capital inglesa.

O Ministério Público acrescenta que no período em que Vale e Azevedo cumpriu pena em Portugal, cabia à mulher continuar os seus negócios, sendo ela que fazia os contactos com os franceses e com uma empresa, investigada noutro inquérito autónomo, que também pactuava no esquema das falsas garantias.

Vale e Azevedo foi acusado pelo MP de oito crimes por burla qualificada e a mulher por co-autoria.

 

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