Criança não resistiu aos ferimentos

Morreu a menina chinesa de dois anos atropelada e ignorada por 18 pessoas

Imagem das câmaras de vigilância que captaram a situação Foto: DR

A menina chinesa de dois anos que foi atropelada duas vezes e ignorada por 18 pessoas que passaram perto do corpo, acabou por não resistir aos ferimentos e morreu no hospital.

O incidente remonta a 13 de Outubro. A criança de dois anos foi atropelada duas vezes seguidas numa estrada perto da loja do pai. As imagens do incidente ficaram registadas nas câmaras de vigilância de um estabelecimento que ficava perto do local do atropelamento e chocaram o mundo, já que 18 pessoas passaram pela menina, que estava deitada no chão coberta de sangue, sem prestarem qualquer auxílio.

Nenhum dos condutores que a atropelou parou e várias pessoas passaram ao lado do corpo olhando e seguindo em frente. Entretanto, a polícia chinesa já deteve os condutores das duas carrinhas que atropelaram a menina, na cidade de Foshan, no sul da província de Guangdong – que estuda neste momento uma lei que obrigue os cidadãos a prestarem auxílio em situações como esta (à semelhança do que acontece, por exemplo, na legislação portuguesa).

Só uma empregada da limpeza que veio trazer o lixo da loja é que socorreu a menina – o que provocou um intenso debate sobre as mudanças que a sociedade chinesa está a sofrer. No entanto, segundo fonte hospitalar citada pela BBC, desde o dia do acidente que a criança se encontrava em coma, com prognóstico muito reservado, tendo entrado em morte cerebral, declarando-se o óbito. Já a AFP, que também cita fontes hospitalares, adiantou que a menina morreu devido a uma “falência orgânica generalizada”.

No Weibo, o equivalente chinês à rede social Twitter, a história continua a ser o tópico mais citado, tendo já chegado quase aos cinco milhões de mensagens e gerado uma campanha online com o slogan “Acabe com a apatia”. Da mesma forma, Chen Xianmei, de 58 anos, a única pessoa que parou para ajudar a menina, tornou-se uma heroína e um símbolo de que o país ainda pode recuperar alguns valores e resistir à ambição económica.

Também o Global Times, um jornal em língua inglesa pertencente a um grupo do órgão central do Partido Comunista Chinês, descreve que “um egoísmo sem escrúpulos está a crescer na China”, considerando-o “suficientemente devastador para abalar os fundamentos da moralidade”. O mesmo jornal defende que, “nos últimos anos, o egoísmo tem sido largamente tolerado e até cultivado por alguns chineses, sendo mesmo visto como um instrumento ideológico para quebrar os tradicionais valores do colectivismo”. Uma ideia corroborada por vários comentários na Internet. “Esta sociedade está gravemente doente. Mesmo os cães e os gatos não deveriam ser tratados assim”, lê-se num deles.

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