O ministro da Saúde está a tentar tudo por tudo para evitar que a greve dos médicos, marcada para os próximos dias 11 e 12, se concretize. Esta sexta-feira, de manhã, no Porto, Paulo Macedo admitiu que está disponível para discutir a grelha salarial dos médicos, uma questão por definir desde 2009, "se a greve for desconvocada".
A definição da grelha salarial dos médicos para o regime de 40 horas semanais é, da extensa lista de motivos apresentada pelos dois sindicatos que representam a classe, aquela que tem maiores implicações orçamentais."Obviamente, se a greve for desconvocada, estamos disponíveis para discutir a grelha salarial", afirmou Paulo Macedo.
Assegurando que não tem "medo" dos clínicos, apesar de estar "claramente preocupado" com a paralisação anunciada, o ministro adianta que tem propostas "muito concretas" para apresentar em termos de carreiras médicas e defende que já estão "ultrapassadas" as questões relacionadas com o concurso para a contratação de clínicos através de empresas de prestações de serviços (os chamados "tarefeiros"), a gota de água que esteve na base da convocação da greve.
Nos futuros concursos será inserida uma cláusula que permita um pagamento indexado à base da tabela salarial e, além do preço, as unidades de saúde poderão incluir na selecção dos "tarefeiros" outros critérios, explicitou. Paulo Macedo lembrou que, tanto em 2011 como em 2010, se efectuaram concursos semelhantes, tendo sido contratados mais de dois milhões de horas através de empresas de prestação de serviços, em cada ano. A diferença, este ano, é que isto foi feito por "concurso público" em vez de "ajustes directos".
Paulo Macedo sublinhou que já pediu aos dois sindicatos para dialogar e que o ministério está disponível para o fazer, a partir de hoje e durante o fim-de-semana. Ontem à noite, o gabinete do ministro já tinha informado que ia "de imediato desenvolver novos contactos" com as organizações sindicais para tentar evitar a paralisação. Em comunicado, o ministro louvara a posição manifestada pelo conselho nacional executivo da Ordem dos Médicos (OM), "ao considerar relevantes as propostas que vão ao encontro das solicitações das organizações sindicais e da própria Ordem dos Médicos".
A OM tinha já prometido, em comunicado divulgado na quinta-feira, que pretende mobilizar "uma forte manifestação dos médicos" se não for alcançado um acordo com o Governo que satisfaça as preocupações da classe. Referiu também que o ministro apresentou uma “série de propostas que pretendem responder a questões que constam do pré-aviso de greve" dos sindicatos, admitindo que reconheceu a “relevância de algumas delas”. Assim, a Ordem apelou a que, “se tais declarações se revestem da seriedade”, o ministro da Saúde convoque as organizações sindicais para discutir um “acordo que satisfaça as preocupações dos médicos”.
Resta saber qual vai ser a resposta dos sindicatos. O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) disse esta sexta-feira que se mantém o motivo da greve."Para já, mantém-se o motivo da greve", o qual consta do pré-aviso, que tem 20 exigências, declarou o secretário-geral do SIM, Jorge Paulo Roque da Cunha, à Lusa. O retormar das negociações, que a tutela suspendeu após o anúncio da paralisação, foi sempre uma das reivindicações dos médicos, que, segundo o dirigente sindical, só marcaram greve como último recurso, queixando-se da falta de diálogo. Roque da Cunha disse que o SIM vai analisar o assunto para decidir se mantém ou não a greve.

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