O Ministério da Educação negou hoje, em comunicado, a notícia do “Diário de Notícias” que avançava que, a partir de Setembro, o Instituto Português da Juventude passaria a utilizar cinco unidades móveis para percorrer as escolas com o objectivo de fazer rastreios de VIH aos estudantes que tenham entre 12 e 25 anos. De acordo com a mesma notícia, o projecto também seria desenvolvido em discotecas e festivais de Verão.
O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, garantiu, citado pela Lusa, que não serão feitos "quaisquer testes de despistagem de sida dentro das escolas" portuguesas, como alegadamente prevê um programa do Instituto Português da Juventude. "O programa não se dirige a jovens nas escolas. É realmente um programa dirigido a jovens, organizado pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Estado da Juventude, mas não se dirige a jovens nas escolas. Dirige-se a jovens fora das escolas", frisou.
Na edição de hoje, o Diário de Notícias informa que o programa "Cuida-te", do Instituto Português da Juventude, que será apresentado hoje, prevê a existência de unidades móveis nas escolas e discotecas para distribuir preservativos e fazer o rastreio ao VIH.
"Segundo a informação que tenho, é um programa que já existe há vários anos, mas que este verão vai ter um incremento dentro do programa 'Cuida-te', que tem a participação de vários ministérios. Mas neste caso não é jovens nas escolas, mas precisamente fora das escolas", reafirmou.
Segundo explicou ao PÚBLICO fonte do Ministério da Educação, o que está em causa no programa “Cuida-te” – onde se insere a oferta de cinco unidades móveis por parte do Alto Comissariado para a Saúde ao IPJ – é a sensibilização para questões relacionadas com a sexualidade e as doenças sexualmente transmissíveis e não testes de sida dentro das escolas.
Por sua vez, a ministra da Saúde defendeu hoje que os pais devem poder decidir se consentem ou não que os filhos menores realizem nas escolas testes de despistagem da sida mas disse que os jovens que o queiram fazer devem ser informados sobre os exames a que serão sujeitos, os resultados e as consequências. Ana Jorge, em declarações à Lusa, considerou que "é fundamental haver unidades móveis" a prestar informação adequada aos jovens sobre o VIH. "Não percebo como é que as famílias estão tão incomodadas quando a televisão passa em horário nobre muitas vezes filmes muito mais desestruturados do que o que é feito em contexto da informação e não se sentem preocupadas", criticou.
Em Portugal, segundo a Comissão Nacional para o VIH, há 281 infectados até aos 19 anos. Recorde-se que no início de Dezembro, por ocasião do Dia Mundial da Sida, a ministra da Saúde, Ana Jorge, anunciou que os testes de HIV1 e HIV2 iriam passar a ser gratuitos para todos os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Em Portugal realizam-se já cerca de um milhão de testes por ano mas, de acordo com um relatório da ONU, o país entre os quatro países europeus onde a taxa de novas infecções por HIV quase duplicou entre 2000 e 2007.
A responsável informou, na mesma altura, que a capacidade de diagnóstico precoce do vírus, particularmente junto dos grupos mais vulneráveis, seria reforçada. Para tal, seriam disponibilizadas cinco unidades móveis - uma por cada administração regional de saúde.
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