Mais de metade dos aparelhos não cumprem etiquetagem energética

Estudo da Quercus em seis dezenas de lojas identifica vários problemas de rotulagem.

Ao todo foram verificados perto de 17 mil produtos Fernando Veludo/NFactos

Mais de metade dos aparelhos verificados no último ano pela Quercus em lojas de electrodomésticos não cumpriam as novas regras europeias de rotulagem energética, estavam mal etiquetados ou faltavam etiquetas, tendo os hipermercados cash&carry os piores resultados.

A associação ambientalista visitou cerca de 60 lojas, em 2012 e 2013, e, entre os 17 mil produtos verificados, 56% não estavam em conformidade com as regras para a informação sobre consumo de energia, dos quais 29% estavam mal etiquetados e 27% não tinham etiquetas, refere um comunicado divulgado nesta quinta-feira pela associação ambientalista.

A taxa de presença das etiquetas energéticas correctamente colocadas nos aparelhos domésticos à venda "é significativa, mas aquém do desejável", principalmente nos grandes electrodomésticos, como máquinas de lavar e aparelhos de refrigeração, com pouco mais de metade a cumprir.

Os aparelhos de ar condicionado e os de armazenamento de vinhos são os que apresentaram a menor taxa de etiquetas correctamente colocadas, com 20% e 30%, respectivamente.

De todas as lojas monitorizadas, nos distritos de Lisboa, Santarém, Castelo Branco e Porto, "as grandes cadeias de retalhistas são as que mais correctamente colocam as etiquetas energéticas nos aparelhos, enquanto as lojas de venda online e, principalmente, os hipermercados/cash&carry, apresentam os piores resultados", segundo a Quercus.

Entre os aparelhos sujeitos ao sistema de rotulagem energética estão as máquinas de lavar roupa e louça, os secadores de roupa, os aparelhos de refrigeração, os televisores, os aparelhos de ar condicionado, as lâmpadas ou os fornos.

Na colocação incorrecta, os erros mais frequentes foram as etiquetas dentro dos aparelhos ou tapadas por outros objectos, autocolantes ou preço, etiquetas a preto e branco ou preenchidas pelos retalhistas.

A implementação da rotulagem energética em Portugal é uma obrigação legal a cumprir pelos produtores e vendedores e "dá-lhes a oportunidade de garantir o interesse dos consumidores, aumentar a sua confiança na loja e na marca e contribuir para a redução da factura energética das famílias portuguesas, ajudando a cumprir a meta de 25% de redução de consumo de energia até 2020, assumida por Portugal", salienta a Quercus.

A etiqueta energética está a ser faseadamente alterada nos vários aparelhos domésticos em que é aplicada, vai ser introduzida em novos aparelhos e é uma "ferramenta importante" para os consumidores na escolha de novos equipamentos.

Este trabalho foi desenvolvido no âmbito do projecto Come On Labels, que integra 13 parceiros europeus, entre os quais a Quercus.

 

 

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