Mais de 35% dos adultos com mais de 65 anos já estão vacinados contra a gripe

A vacinação contra a gripe é fundamental para prevenir a doença e a transmissão Foto: Eva Carasol

Desde que foi disponibilizada a vacina contra a gripe sazonal, há três semanas, já foram vacinados 666 mil adultos com mais de 65 anos, o que corresponde a 36% deste grupo de risco.

Até ao momento, dos grupos de risco identificados como prioritários pelas autoridades de saúde, foram vacinadas 27,3%, indicam os dados do Vacinómetro, um projecto lançado em 2009 pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia e pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, com o apoio da farmacêutica Sanofi Pasteur MSD, com o objectivo de acompanhar a campanha de vacinação.

Em três semanas, foi também possível vacinar 28% dos doentes crónicos, 22% dos profissionais de saúde e de outras pessoas com profissões de risco, 23% dos indivíduos com idades entre os 60 e os 64 anos. É sobretudo a estes grupos que a vacina é recomendada, ainda que estejam disponíveis nas farmácias 1,7 milhões de doses para as pessoas que entenderem, mediante receita médica e com comparticipação do Estado.

Em termos de diferenças entre géneros, nos grupos de risco já há mais homens (30,3%) protegidos do que mulheres (24,9%). Por zonas, o norte é a região com mais vacinados dentro das populações prioritárias (32,8%) e o Alentejo a região menos coberta (24,3%).

Ministro reconhece assimetrias

Já nesta quarta-feira, o ministro da Saúde reconheceu que existem algumas “assimetrias” na aplicação do programa de vacinação contra a gripe, mas afirmou que esta está a correr a “um ritmo muito satisfatório”. Paulo Macedo, citado pela Lusa, falava durante uma audição na Comissão Parlamentar de Saúde, durante a qual o deputado socialista Manuel Pizarro começou por elogiar a medida de disponibilizar gratuitamente a vacina contra a gripe a quem tem mais de 65 anos.

O ex-secretário de Estado da Saúde disse que a aplicação deste programa não está a correr bem em todas as regiões e deu conta de casos em que os utentes tentam vacinar-se, sem que exista disponibilidade da vacina nos centros de saúde. “Sabemos que na região de Lisboa o programa está a funcionar bem, que na margem sul funciona muito mal e que no Porto há casos em que está a ser bem aplicado e em outros mal”, disse Manuel Pizarro.

Porém, Paulo Macedo congratulou-se com o ritmo, tendo recordado que as doses já administradas ultrapassam as que foram aplicadas na passada época gripal. Para melhorar a situação, as Administrações Regionais de Saúde (ARS) estão a “monitorizar” a situação, tendo Paulo Macedo demonstrado confiança de que “um número mais significativo de pessoas vai ser vacinado este mês”.

A vacinação contra a gripe é fundamental para prevenir a doença e a transmissão. “A gripe é a principal doença do adulto prevenível pela vacinação e, no nosso país, esta infecção é responsável por milhares de internamentos hospitalares e centenas de óbitos. A vacina de gripe é o método mais eficaz de prevenir a gripe e as suas complicações”, tinha já explicado no primeiro balanço feito o pneumologista Filipe Froes. Na Europa estima-se que o excesso médio de óbitos associados à gripe seja de 40.000 por época. Em Portugal a média ao longo de várias épocas foi de cerca de 2400 óbitos.

Este é o primeiro ano em que todas as pessoas com mais de 65 anos podem ser vacinadas gratuitamente nos centros de saúde. O objectivo, como explicou a Direcção-Geral da Saúde, é aumentar a taxa de cobertura numa população de risco e fazer convergir os números nacionais com as metas da Organização Mundial de Saúde.

A gripe é uma infecção aguda viral provocada pelo vírus influenza, que afecta sobretudo o sistema respiratório. No adulto, o quadro clínico típico caracteriza-se pelo aparecimento súbito de mal-estar geral, febre, dores musculares e nas articulações, arrepios, dor de cabeça e corrimento nasal, lembram a Sociedade Portuguesa de Pneumologia e a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.

O Vacinómetro pretende acompanhar o número de pessoas vacinadas em tempo real. Este ano foram inquiridos 1200 indivíduos, sendo que o aumento da amostra analisada permitiu diminuir a margem de erro para 2,8% com um intervalo de confiança de 95%.

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