Juíza que absolveu polícia da morte de jovem praticou discriminação, acusa SOS Racismo

Organização considera escandalosa a absolvição de agente da PSP que matou jovem de 14 anos na Amadora. Sentença “demonstra que existe um profundo racismo na sociedade portuguesa”.

Manifestação de apoio a “Kuku”, o menor baleado em 2009 por um polícia na Amadora Sara Matos

A sentença proferida na quarta-feira que absolveu o polícia responsável pela morte de um jovem de 14 anos no Bairro de Santa Filomena, na Amadora, “demonstra que existe um profundo racismo na sociedade portuguesa”, considera a associação SOS Racismo.

O caso remonta a 2009, quando o agente da PSP abateu o menor a tiro durante uma perseguição nocturna. Elson Sanches, que minutos antes circulava com os amigos num carro roubado, acabou por morrer no hospital.

O facto de o polícia suspeitar de que o rapaz, também conhecido por “Kuku”, tinha sacado de uma arma e se preparava para o atingir e a perigosidade que as autoridades atribuem ao bairro foram factores atenuantes que a juíza encarregada do caso levou em linha de conta para optar pela absolvição do polícia que baleou o jovem na cabeça. O Ministério Público havia acusado o agente de homicídio negligente grosseiro, um crime punível com o máximo de cinco anos de prisão.

“Pelo modo como tem actuado, a justiça tem sido um dos principais (re)produtores de imaginários racistas dominantes e do consenso social, conduzindo aos abusos, perpetuando ideologias e legitimando relações de poder que oprimem os mais fracos da sociedade”, observa o SOS Racismo, que considera a absolvição escandalosa. A mãe de Elson Sanches tenciona recorrer da sentença. 
 
 

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