A Administração Regional de Saúde do Norte pediu uma intervenção da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) no Hospital de Braga, depois da denúncia do Sindicato Independente dos Médicos relacionada com a segurança dos doentes. Em causa está a alegada falta de qualidade, sobretudo no caso das anestesias.
A resposta por parte da unidade hospitalar não foi considerada “cabalmente esclarecedora”, e por isso a IGAS foi chamada ao caso.
A Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-N) informa, num comunicado citado pela Lusa, que pediu informações ao Hospital de Braga.
Na segunda-feira, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) denunciou que os doentes anestesiados naquela unidade correm riscos, que há carência de material e excesso de médicos tarefeiros. O sindicato disse também que quem tem denunciado estas questões tem sido alvo de pressões por parte da administração. Em declarações à Lusa, à margem de uma conferência de imprensa para explicar os motivos pelos quais os médicos anestesistas do Hospital de Braga vão fazer greve nos dias 30 e 31, o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha, explicou que esta acção de luta pretende “acima de tudo preservar os direitos dos doentes”.
O Hospital de Braga é gerido pelo Grupo Mello Saúde numa parceria público-privada com o Estado, o que, segundo o responsável sindical, “devia ser mais um garante” da qualidade de serviços prestados. Mas, segundo o médico, “está em causa a qualidade do serviço prestado, os direitos dos médicos anestesistas” e “os doentes correm riscos ao serem anestesiados no Hospital de Braga” por o número de médicos ser insuficiente e não permitir o devido acompanhamento do doente, “embora os profissionais sejam da melhor qualidade”.
Na terça-feira, o Hospital de Braga, através de um comunicado enviado ao PÚBLICO, garantiu que “a qualidade dos serviços de saúde prestados e a segurança do doente” são para a unidade “pilares essenciais”, recusando por isso “veementemente os argumentos apresentados que questionam a segurança do doente no Bloco Operatório”. Na mesma nota lê-se que “as Direcções Clínicas e de Enfermagem atestam da segurança do doente no hospital, não tendo recebido dos restantes profissionais clínicos que exercem actividade no bloco operatório, nota de preocupação no que concerne à segurança do doente e dos profissionais, bem como à qualidade do serviço prestado”.
A instituição insiste que “cumpre escrupulosamente as regras de organização do trabalho médico, não exigindo a nenhum profissional que desenvolva actividade adicional” e que continua disponível para dialogar com os anestesistas “no sentido de identificar eventuais oportunidades de melhoria”.

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