Homem condenado na Suíça a 12 anos de prisão por contagiar 16 pessoas com HIV

Curandeiro terá deliberadamente infectado vítimas durante tratamentos de acupunctura. Acusado diz ter sido alvo de uma conspiração.

Um homem, de 54 anos, foi condenado esta sexta-feira, na Suíça, a 12 anos e nove meses de pena de prisão, depois de em tribunal ter ficado provado que infectou deliberadamente 16 pessoas com HIV durante tratamentos de acupunctura. O acusado negou sempre as acusações e sustentou que as vítimas contraíram o vírus através de relações sexuais.

O primeiro caso de uma vítima do curandeiro, como se auto-intitula, foi registado em 2004, quando um homem a quem foi diagnosticado o vírus da sida afirmou durante uma consulta num hospital de Berna que acreditava ter ficado infectado durante um tratamento de acupunctura.

Duas outras pessoas terão dado a mesma explicação e no hospital onde foi registado o primeiro caso, há nove anos, outros casos suspeitos foram analisados. A unidade hospitalar, ao verificar a existência de casos semelhantes, aconselhou os pacientes a apresentarem uma queixa ao tribunal. Em 2005, foi aberto um inquérito, tendo as investigações só terminado no ano passado.

Na acusação, o Ministério Público suíço acabou por defender que o curandeiro terá infectado deliberadamente, entre 2001 e 2005, 16 pessoas, na sua maioria alunos de uma escola de música do suspeito, que também terão recorrido aos seus tratamentos de acupunctura.

Esta sexta-feira, o juiz responsável pelo processo, Urs Herren, considerou, citado pela agência noticiosa suíça SDA, que “o acusado e mais ninguém é responsável pelos danos físicos e pela propagação da doença”. O tribunal considerou que ficou provado que as vítimas foram infectadas pelo mesmo método e que o HIV transmitido tinha a mesma origem. Segundo o juiz, a infecção terá sido disseminada através de injecções feitas pelo acusado durante tratamentos de acupunctura e condenou a forma “implacável, desonesta e desumana” com que actuou.

A defesa do curandeiro pediu a absolvição do arguido, alegando que durante o julgamento tinham ficado por responder várias questões sobre a forma como o HIV tinha sido transmitido às vítimas. O homem sublinhou, por sua vez, que era vítima de uma conspiração e que as vítimas terão contraído o vírus através de relações sexuais sem protecção ou consumo de drogas injectáveis.
 

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