Ex-vice-cônsul português desconhecia envolvimento de amiga em golpe contra Igreja

O advogado português do ex-vice-cônsul Adelino Pinto afirmou nesta sexta-feira que seu cliente não sabia do envolvimento de Teresa Monteiro no desvio de 1,1 milhões de euros da Arquidiocese de Porto Alegre, crime do qual seu cliente é acusado pela Justiça brasileira.

“O senhor Adelino Pinto não sabia do envolvimento da senhora Teresa Monteiro no desvio do dinheiro da Arquidiocese de Porto Alegre”, disse à agência Lusa Hernâni Duque Lacerda, advogado de Adelino Pinto em Portugal.

Adelino Pinto foi denunciado pelo Ministério Público brasileiro por estelionato (crime semelhante a burla) e coação após se ter oferecido para intermediar o contacto entre a Igreja Católica e uma organização não-governamental (ONG) que financiaria o restauro de duas igrejas portuguesas no Brasil.

Teresa Monteiro, tradutora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), confirmou à agência Lusa, na quinta-feira, informações anteriores do jornal Público e do brasileiro Zero Hora de que escreveu uma carta (datada de 2 de Dezembro) ao advogado brasileiro de Adelino Pinto, Antônio César da Silva, na qual assume seu envolvimento no crime e inocenta o ex-vice-cônsul.

Antônio César da Silva já pediu a revogação da sua prisão preventiva, após Teresa Monteiro ter assumido o golpe, em cumplicidade com uma mulher identificada como Teresa Falcão e Cunha), do desvio do dinheiro da Arquidiocese de Porto Alegre.

“O senhor Adelino Pinto conheceu Teresa Falcão e Cunha através de Teresa Monteiro e pensou estar a fazer uma coisa boa para a Igreja Católica de Porto Alegre”, sublinhou o advogado português, confirmando que o ex-vice-cônsul tinha uma relação de amizade familiar com Teresa Monteiro.

A mulher identificada como Teresa Falcão e Cunha, e que nunca se pronunciou desde que o caso se tornou público, seria, supostamente, uma integrante da ONG que financiaria o restauro das igrejas no Brasil e que entrou em contacto com os padres em Porto Alegre.

Para receber o dinheiro, a arquidiocese depositou o dinheiro como caução na conta bancária do ex---vice-cônsul português, que serviu de intermediário, mas a doação prometida para as obras nunca chegou.

Adelino Pinto teve a prisão preventiva decretada no Brasil em 12 de agosto, e foi incluído na lista de procurados da Interpol, mas nunca foi preso, encontrando-se presumivelmente em Portugal.

De acordo com Teresa Monteiro, a ideia era enganar a Igreja e usar o dinheiro em casas de jogo para pagar dívidas que ela e a cúmplice tinham nesses locais. Essa terceira suspeita, diz a tradutora, planeou o esquema e ficou com metade do dinheiro desviado.

O advogado Hernâni Duque Lacerda disse não saber se Adelino Pinto já conversou com Teresa Monteiro depois da carta que o iliba, embora seja ainda desconhecido o impacto jurídico da missiva no processo.

O advogado disse, entretanto, que quando regressou do Brasil conversou várias vezes com Teresa Monteiro para tentar localizar e clarificar o assunto do desvio de dinheiro com Teresa Falcão e Cunha.

Adelino Pinto sempre alegou inocência no caso do desvio do dinheiro da Arquidiocese de Porto Alegre.

Além do processo que corre no Brasil, a Inspecção-geral Diplomática e Consular do Ministério dos Negócios Estrangeiros exonerou Adelino Pinto do cargo de vice-cônsul e remeteu à Procuradoria-Geral da República o expediente relativo ao processo disciplinar, que foi enviado para o DIAP de Lisboa, que está a investigar o assunto.

“Já entrei em contacto com o DIAP e coloquei meu cliente à disposição para qualquer esclarecimento”, disse Hernâni Duque Pinto, esclarecendo que Adelino pinto ainda não foi notificado pelas autoridades portuguesas.



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