Estudantes reúnem dez mil assinaturas contra cortes na educação

Abaixo-assinado está a circular há cerca de mês e meio nas escolas básicas e secundárias de todo o país. Petição chega em Janeiro à Assembleia da República.

Os estudantes contestam o corte nos apoios e a “falta de condições materiais” das escolas Paulo Pimenta

Um grupo de estudantes juntou-se esta quarta-feira na Escola Secundária Padre António Vieira, em Lisboa, para anunciar que recolheu cerca de dez mil assinaturas contra os cortes na área da educação. É o resultado de uma petição que está a correr desde finais de Outubro em escolas do ensino básico e secundário de todo o país, na sequência do protesto que os estudantes realizaram nessa altura em Lisboa contra os cortes inscritos na proposta de Orçamento do Estado para 2013.

No abaixo-assinado, dirigido “ao primeiro-ministro, aos senhores governantes e à troika”, os estudantes queixam-se da “falta de condições materiais” das escolas e da retirada de vários apoios, isto “com os preços das cantinas, bares, papelarias e reprografias sempre a aumentar”.

Os signatários criticam ainda o corte decretado pelo Governo na compartição do passe escolar e o aumento dos preços dos manuais. “Queremos uma educação pública, gratuita, de qualidade, democrática e para todos”, sublinham no documento.

A iniciativa surgiu depois da manifestação do passado dia 24 de Outubro que reuniu estudantes do ensino não superior frente à Assembleia da República. As assinaturas têm sido recolhidas em escolas de todo país, através de pequenos grupos e movimentos.

“O movimento e a ideia surgiu de uma forma despolitizada, mas tem tido o apoio de alguns membros da Juventude Comunista Portuguesa”, explicou esta quarta-feira Margarida Félix, uma das responsáveis pela iniciativa. Esta estudante do 11.º ano diz que a elevada adesão dos estudantes à petição surpreendeu a organização, sobretudo pela rapidez com que as dez mil assinaturas foram atingidas, e que o objectivo agora é conseguir ainda mais.

“Ficámos surpreendidos mas, por outro lado, isto apenas demonstra o elevado número de estudantes que está a sofrer com as condições económicas e a falta de apoios”, conta Margarida Félix. “O nosso objectivo é recolher pelo menos mais duas mil assinaturas”, adianta a aluna da Padre António Vieira, para que a petição seja depois entregue na Assembleia da República já em Janeiro, no início do segundo período.

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