Educadora acusada de maus-tratos a bebés em Esposende conhece sentença esta segunda-feira

Entre 2010 e 2012, arguida "gritava, berrava, ralhava e desferia palmadas nos pés e nas pernas das crianças", segundo acusação.

Arguida foi entretanto despedida Paulo Pimenta

O Tribunal Judicial de Esposende profere esta segunda-feira a sentença de uma educadora de infância acusada pelo Ministério Público de quatro crimes de maus-tratos na forma continuada, cometidos sobre bebés que tinha a seu cuidado.

Segundo a acusação, a que a Lusa teve acesso, os factos registaram-se na creche do Centro Infantil A Gaivota, onde a arguida, actualmente com 50 anos, exerceu funções de educadora entre 2010 e 2012.

"Com frequência quase diária, a arguida gritava, berrava, ralhava e desferia palmadas nos pés e nas pernas das crianças", refere a acusação, deduzida pelo Ministério Público. Também com "frequência quase diária", a educadora "agarrava os bebés com força, sentava-os no chão com força superior à necessária e não proporcional à idade das crianças, abanava-os e 'chocavalha-os', ao mesmo tempo que gritava e berrava".

Na hora da sesta, e quando as crianças mostravam dificuldade em adormecer, "dava-lhes palmadas nas pernas" e "gritava e berrava: tens de dormir".

Um dos bebés terá sido agredido em três ocasiões, com palmadas nas pernas e bofetadas na face. A arguida é ainda acusada de gritar e ralhar com outra bebé e de lhe desferir "por diversas vezes" palmadas em várias partes do corpo, nomeadamente na zona da boca. "Puxou-lhe os cabelos e arrastou-a pelos braços e pernas pelo chão da sala", acrescenta a acusação.

Uma bebé que tinha mordido outra terá sido agredida pela educadora com uma palmada na boca, sofrendo um golpe no lábio, "que começou a sangrar". Noutra ocasião, estava a mudar fralda a uma bebé e deu-lhe uma palmada nas nádegas, pondo-a a chorar.

"Sabia que molestava física e psicologicamente os bebés" e que estes "não tinham capacidade para se defenderem das palmadas, abanões, agressões, gritos, berros e humilhações de que eram vítimas", refere ainda a acusação.

A educadora foi alvo de um processo disciplinar e acabou por ser despedida.

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