Director de unidade de gestão da urgência e cuidados intensivos do Centro Hospitalar São João demite-se

Em 2013, hospital teve uma taxa de operacionalidade de 97,5% a nível da Viatura Médica de Emergência e Reanimação.

As divergências entre os dois médicos, colegas de curso, intensificaram-se ultimamente Rui Farinha

Divergências estruturais relacionadas com a gestão hospitalar estão na origem da demissão do director da Unidade Autónoma de Gestão (UAG) da Urgência e Cuidados Intensivos do Centro Hospitalar São João, José Artur Paiva.

A demissão do médico, formalizada sexta-feira, já era esperada em alguns sectores do hospital devido às divergências entre o presidente do Conselho de Administração (CA) do Hospital de S. João, António Ferreira, e o até agora director da UAG.

As divergências entre os dois médicos, colegas de curso, intensificaram-se ultimamente e José Artur Paiva percebeu  que não teria condições para se manter à frente daquela unidade, tendo pedido a demissão que terá sido aceite sem qualquer reserva.

Os  nomes dos dois médicos do Centro Hospitalar São João, ambos no topo da carreira, terão sido ventilados para ocupar um cargo na Administração Central dos Serviços de Saúde (ACSS). E a escolha de um clínico com perfil de gestor contribuíria para melhorar algumas das fragilidades que a ACSS apresenta.

O PÚBLICO questionou José Artur Paiva sobre as razões da sua demissão, mas o director demissionário recusou falar sobre o assunto. Também o presidente do CA do Centro Hospital São João se mostrou indisponível para fazer qualquer comentário.

De acordo com relatos feitos ao PÚBLICO, na véspera de apresentar a demissão, Artur Paiva comentou publicamente no final das Jornadas de Medicina Intensiva da Primavera, que decorreram no auditório do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, no Porto, que “já não mandava nada”.

A contestação à gestão de José Artur Paiva, próximo do actual secretário de Estado-Adjunto da Saúde, Fernando Leal da Costa, há já algum tempo que vinha a ser contestada. Algumas das medidas que tomou, nomeadamente quanto ao funcionamento e operacionalidade da VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação) provocaram algum desconforto interno. A contestação foi subindo de tom, tendo levado ao afastamento, ao fim de doze anos, da ex-coordenadora da VMER, a médica anestesista Fátima Abreu, considerada pelos seus pares como um exemplo a nível nacional.

Com a nova reorganização do INEM, presidido pelo médico Paulo Campos, também ele considerado um especialista na área, é provável que Fátima Abreu venha a ser abordada com vista ao seu regresso à VMER do São João.

Uma das prioridades do novo presidente do INEM é garantir a operacionalidade das viaturas médicas de emergência e reanimação a nível nacional em todos os hospitais com urgência polivalente e médico- cirúrgica, conforme determina a lei. O que está previsto é que até ao final do ano comecem a funcionar mais duas VMER, uma no hospital Barreiro-Montijo e outra no hospital Fernandes da Fonseca, na Amadora.

Em 2013, a VMER do Centro Hospitalar São João registou uma taxa de operacionalidade de 97,5%, ligeiramente inferior à dos hospitais de Aveiro, Covões, Castelo Branco, Figueira da Foz, Leiria, S. Francisco Xavier e Viana do Castelo com um performance de 99,9%.

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