Deixar de fumar pode dar mais 10 anos de vida às mulheres

Dois terços das mortes entre fumadoras resultaram do tabagismo Foto: Paulo Ricca

Dez anos. Este é o tempo de vida que uma mulher fumadora que opte por deixar o tabaco por volta dos 30 anos pode recuperar, segundo uma investigação que acaba de ser publicada na revista científica The Lancet.

O trabalho recorre aos dados de um grupo do Reino Unido chamado “Million Women Study” e que recolhe informações de mais de 1,3 milhões de mulheres. As voluntárias deste estudo dirigido especificamente ao tabagismo foram seleccionadas entre 1996 e 2001, quando tinham entre 50 e 65 anos de idade. Os investigadores seguiram-nas depois durante 12 anos, período durante as quais 66 mil delas morreram, explica o diário espanhol El País.

No início do estudo as participantes responderam a um questionário que pretendia perceber o estilo de vida que seguiam. Dentro das voluntárias, 20% eram fumadoras, 28% ex-fumadoras e 52% nunca tinham fumado. Ao fim de três anos, segundo os autores, as fumadoras tinham uma probabilidade três vezes maior de morrer do que as não fumadoras. E dois terços das mortes entre fumadoras dos 50 aos 70 anos resultaram do tabagismo, destacando-se doenças como cancro do pulmão, doenças pulmonares crónicas, doenças do foro cardiovascular ou derrames cerebrais.

A investigação adianta, ainda, que a quantidade de tabaco consumida também tem uma relação directa com a mortalidade: mesmo as mulheres que só fumavam um cigarro por dia revelaram o dobro da probabilidade de morrer do que as não fumadoras.

A boa notícia do estudo é que os efeitos nocivos do tabaco podem reverter-se. Entre as mulheres que deixaram de fumar com cerca de 30 anos, o risco de morte prematura foi reduzido em 97%. Já os benefícios de deixar de fumar a partir dos 40 anos foram bastante mais baixos. “Tanto os homens como as mulheres que deixem de fumar antes de chegar a uma idade mediana ganham dez anos de vida”, explicou Richard Peto, da Universidade de Oxford, e um dos autores do trabalho, citado pelo El País.

Porém, os investigadores alertam que o facto de deixar de fumar aos 30 anos praticamente eliminar os riscos do tabagismo não significa que está a ser dada luz-verde para fumar até essa idade. Há outros efeitos negativos, como o envelhecimento precoce da pele ou a infertilidade. E lembram que o facto de as mulheres terem começado a fumar mais tarde do que os homens não altera a análise, já que nesta amostra estão as mulheres que começaram a fumar nas décadas de 1950 e 1960. Ainda assim, Richard Peto, à BBC, explicou que “se as mulheres fumam como homens, morrem como eles”.

3600 casos de cancro do pulmão por ano em Portugal

Cerca de 3600 novos doentes com cancro do pulmão são diagnosticados anualmente em Portugal, ou seja 10 casos por dia, 85% dos quais não sobrevivem ao fim de cinco anos. Actualmente, o cancro do pulmão é a primeira causa de morte oncológica em Portugal, embora seja o quarto tipo de cancro mais frequente, depois dos cancros da mama, próstata e cólon. Cerca de 80% dos cancros do pulmão são atribuídos ao consumo de tabaco.

Ao todo, as estimativas indicam que um quinto dos mais de mil milhões de fumadores no mundo são mulheres, um vício que está a crescer entre o público feminino e que a Organização Mundial da Saúde (OMS) atribui às estratégias utilizadas pela indústria do tabaco. Nos 53 países que pertencem à região europeia da OMS, 21% das mulheres fumam, contra 59% dos homens, revelam dados da OMS. O tabagismo é a segunda causa de morte mundial (após a hipertensão) e é responsável pela morte de um em cada dez adultos no mundo inteiro.

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