Nesta quarta-feira o presidente do Instituto Português do Sangue (IPS) vai ser ouvido na comissão parlamentar da saúde e terá razões para manter o apelo às dádivas de sangue. “Estamos estáveis e com reservas mas ainda numa situação que nos obriga a estar muito atentos”, adiantou Hélder Trindade ao PÚBLICO. O responsável do IPS foi chamado ao parlamento, a pedido do Bloco de Esquerda, após o alerta sobre a quebra acentuada de reservas de sangue registada no início deste ano.
Hélder Trindade não avança com os dados totais sobre as dádivas deste último mês mas admite que em Fevereiro se verificaram “picos de diminuição” e que os valores ficam abaixo do resultado obtido em período homólogo. O presidente do IPS refere ainda que neste momento o país tem reservas de sangue mas não especifica para quantos dias, referindo apenas mas que estas são inferiores aos níveis considerados desejáveis (para 20 a 25 dias). “As dádivas estão a ser cuidadosamente monitorizadas, mediante uma observação diária”, nota.
O Bloco de Esquerda solicitou a presença do presidente do IPS para “debater a situação actual das reservas de sangue e as razões para a sua quebra acentuada, bem como as medidas necessárias para repor os seus níveis habituais e evitar a repetição de situações como a actual”. Os dados mais recentes fornecidos pelo IPS, que é responsável por 62% das colheitas a nível nacional, indicam que, em Janeiro foram colhidas pouco mais de 16 mil unidades de sangue contra 19 mil no mesmo mês do ano anterior. Uma quebra de quase 16%, portanto.
“O presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) e o secretário de Estado da Saúde anunciaram há cerca de duas semanas que as reservas de sangue do país estavam à beira de esgotar, particularmente para certos grupos sanguíneos, entre os quais A e O negativos. As reservas de outros grupos sanguíneos estão, também, abaixo dos valores habituais, não ultrapassando os 10 dias quando, normalmente, chegam para 20 a 25 dias”, lembra o BE, numa nota divulgada esta semana.
Os deputados do BE sublinham que “esta situação pode ter consequências gravíssimas e exige medidas imediatas por parte do Governo, nomeadamente, a intensificação das recolhas a partir da multiplicação de postos e equipas para esse efeito”. “É necessário esclarecer se, actualmente, o volume das recolhas é o indicado ou se, ao contrário, em virtude das restrições orçamentais e da carência de técnicos e outro pessoal, está a verificar-se uma redução do sangue recolhido pelas unidades do IPST”, alertam, concluindo ainda que é preciso também “avaliar a gestão dos stocks de sangue armazenados no IPST e, também, se há redução do número de dadores, na sequência do fim da isenção das taxas moderadoras recentemente decidida pelo Governo”.
Instituto Português de Sangue pede reforços ao S. João
O PÚBLICO sabe que hoje mesmo o IPS fez um pedido de sangue - dos tipos mais raros (A e O negativo) e outros - ao Hospital de S. João (no Porto). Contactado pelo PÚBLICO, a administração do Centro Hospitalar de S. João limitou-se a confirmar que foram fornecidas hoje 200 unidades de sangue ao IPS, “no âmbito da colaboração normal entre as duas entidades”. (c/ Lusa)
Notícia actualizada às 18h37

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