Contribuição do Estado para ADSE desce para metade em 2014

O Estado vai reduzir a sua contribuição para o financiamento da ADSE em 50% já em 2014, avança o jornal i na sua edição desta segunda-feira.

Algumas das mudanças nas comparticipações de medicamentos já estão a acontecer Fernando Veludo/Nfactos

O relatório da sexta avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI) diz que a redução da contribuição de 2,5% da remuneração dos funcionários para 1,25% só acontecerá em 2014, sendo que a medida chegou a estar prevista para este ano. Para compensar, o Governo comprometeu-se com a troika a ajustar os actuais benefícios que o sistema permite até ao terceiro trimestre de 2013.

Já o relatório de Bruxelas sobre a sexta avaliação, divulgado em Dezembro, antecipava que 2013 seria o ano da reavaliação do pacote de serviços coberto pela ADSE. Mas o documento do FMI apresenta um calendário mais fechado, mantendo que o sistema deverá conseguir financiar-se sozinho até 2016, ainda que não se explique em que moldes. Serão menos 100 milhões de euros por ano.

O debate sobre uma eventual extinção da ADSE voltou a estar no centro das atenções na última semana, depois de o coordenador da direcção do PS para as questões de saúde, Álvaro Beleza, ter defendido a extinção da ADSE numa entrevista ao Jornal de Notícias. Uma posição que foi de imediato contrariada pelo vice-presidente da bancada socialista José Junqueiro, que reafirmou a posição de princípio deste partido sobre a questão: “O PS é contra a extinção da ADSE. É uma posição clara e quem define as posições é o PS. Este fait divers não cola”.

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, confirmou que o Governo está a estudar o sistema e que ainda há muito trabalho para fazer. “Temos de obter necessariamente uma poupança para o Estado, mas não é só isso. Há uma necessidade de aproximar benefícios e ver disparidades que existam, sabendo nós que parte dessas disparidades têm como base o pagamento adicional que os funcionários fazem, mas que não explica tudo”, disse.

O fim da ADSE é uma das exigências do memorando de entendimento assinado com a troika, que impõe a extinção progressiva de todos os subsistemas de saúde até 2016, para conter a despesa, e deverá ser um dos pontos que irão constar no plano de reforma do Governo para cortar quatro mil milhões de euros na despesa estrutural do Estado.

Comentários

Os comentários a este artigo estão fechados. Saiba porquê.

Nos Blogues