O conselho superior da Ordem dos Advogados (OA) chumbou nesta sexta-feira a realização de um congresso extraordinário para discutir a nova lei que regula as ordens profissionais e o bastonário ameaça demitir-se.
O congresso extraordinário estava previsto para Julho e era uma pretensão do bastonário da OA, António Marinho e Pinto, que ameaça abandonar o cargo, caso a lei que regula as ordens profissionais seja aplicada.
Na reunião de hoje, Joana Roque Lino, vogal do conselho geral, presidido por Marinho e Pinto, demitiu-se.
Na votação de hoje não estiveram reunidos os dois terços necessários para a realização do congresso, dado que o conselho geral votou a favor e o conselho superior votou contra.
No dia 1 deste mês, a OA deliberou não apresentar propostas de adaptação do Estatuto da Ordem dos Advogados, como proposto na Lei das Associações Públicas, criticando o Governo por "querer calar as vozes independentes" da sociedade.
"A OA nunca esteve sob a tutela de nenhum governo, nem no tempo de Salazar", criticou o bastonário, Marinho e Pinto em declarações à agência Lusa na ocasião.
"Se os advogados concordarem comigo, vamos enfrentar o Governo e vamos enfrentar o Estado na luta pela nossa independência. Se os advogados não concordarem comigo, demito-me. Jamais serei bastonário de uma Ordem que aceita uma tutela administrativa ou inspectiva ou outra qualquer de um qualquer governo", reagiu.

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