Activistas acusaram o Presidente da República de “prepotência e arrogância”, depois de a presidência se recusar a receber postais contra o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa (MAC).
Cerca de duas dezenas de pessoas deslocaram-se nesta tarde ao Palácio de Belém para entregar na Presidência da República cerca de 14 mil postais contra o encerramento da maior maternidade dos país, situada em Lisboa.
“Disseram que nos recebiam mas não recebiam os postais”, disse aos jornalistas Ana Amaral, uma das activistas da Plataforma Em Defesa da Maternidade Alfredo da Costa, considerando que a recusa é “um desrespeito” pelas pessoas que assinaram os postais para serem entregues na residência oficial do chefe de Estado.
“Isto é de uma prepotência e de uma arrogância muito grande por parte do senhor Presidente da República”, afirmou Ana Amaral, salientando ainda o facto de não ter sido dada qualquer explicação pela Presidência para não receber as caixas com os postais a reivindicarem que a maternidade não seja encerrada como pretende o Governo.
Segundo Ana Amaral, “o objectivo era que o Presidente intercedesse no sentido de evitar o encerramento da MAC”.
“Ao Presidente da República, que no último discurso que fez disse que conhece bem o país e é sensível aos problemas dos portugueses, nós dizemos que é inadmissível que não receba a Plataforma Em Defesa da MAC, que reúne representantes dos trabalhadores e da população”, afirmou outra das participantes na iniciativa, Fernanda Amaral, do Movimento Democrático das Mulheres.
Esta activista disse que queriam ser recebidos, “pelo menos”, por um representante do Presidente que aceitasse os postais.
Após a recusa, os activistas decidiram que vão entregar os postais na residência oficial do primeiro-ministro, em S. Bento, em dia e hora ainda a determinar.
“É inadmissível que o Governo anuncie o encerramento da MAC, privando os utentes de uma unidade de saúde imprescindível e colocando em causa centenas de postos de trabalho ou condenando os seus trabalhadores à mobilidade forçada, revelando desrespeito pelas suas vidas”, referem os postais dirigidos ao Presidente da República, Cavaco Silva.
Na sexta-feira, o movimento contra o encerramento da unidade de saúde, que o Governo quer fechar até final do ano, promove uma concentração junto ao Hospital de S. José, onde funciona o conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central, a que pertence a MAC.

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