Casos de demência no mundo vão duplicar até 2030

O envelhecimento da população é uma das principais razões para o aumento da demência Foto: Daniel Rocha

Os casos de demência, um síndrome causado em grande parte pela doença de Alzheimer, deverão duplicar até 2030 e mais que triplicar até 2050, atingindo 115,4 milhões de pessoas no mundo, segundo um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicado hoje.

Actualmente perto de 35,6 milhões de pessoas no mundo são atingidas pela demência, um síndrome que é geralmente crónico, causado por diversas doenças do cérebro que afectam a memória, o raciocínio, o comportamento e a capacidade de realizar actividades quotidianas.

A doença de Alzheimer é a causa mais frequente da demência (quase 70% dos casos), que também pode ser provocada por doenças vasculares. “Devemos agir para parar esta epidemia”, disse numa conferência de imprensa o director da ADI (Alzheimer Disease International), Marc Wortmann.

Segundo o relatório da OMS – o primeiro sobre a demência –, a cada quatro segundos soma-se num novo caso de demência no mundo, em 2050 passará a haver um caso por cada segundo.

Tratar e cuidar de pessoas com demência têm custos que atingem mais de 461 mil milhões de euros. Esta soma tem em linha de conta os cuidados de saúde e assistência social, assim como a redução ou perda de receitas dos doentes e seus cuidadores.

Apesar de haver casos de demência em todos os países, mais de metade (58%) vivem em países menos desenvolvidos. Esta proporção poderá ultrapassar os 70% até 2050 em resultado do envelhecimento da população, nomeadamente na China, Índia e Brasil, explicou na conferência de imprensa Shekhar Saxena, director do departamento de saúde mental e abuso de substâncias psicoactivas da OMS.

“É um grito de alerta”, disse, apelando a estes países para que ponham em marcha políticas nacionais dirigidas à doença. Segundo a OMS, apenas oito países (Reino Unido, Austrália, Dinamarca, França, Japão, Coreia do Sul, Holanda e Noruega) têm programas nacionais de luta contra a demência. Outros países, como a Suécia e a Alemanha, têm recomendações.

No relatório, a organização recomenda às autoridades que ponham em prática programas sobretudo dirigidos à redução da estigmatização e ao fornecimento de cuidados de saúde de maior qualidade.

A ausência de diagnóstico precoce é um dos maiores problemas, a OMS sublinha que é muito importante melhorar a formação do pessoal de saúde. Mesmo nos países mais ricos, os serviços de saúde não despistam mais do que entre 20% a 50% dos casos de demência, e quando há diagnóstico já é muitas vezes feito num estado avançado da doença. Actualmente é impossível curar a doença, mas alguns tratamentos permitem desacelerar a sua progressão.

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