Na quinta-feira, um doente hepático de 52 anos deu entrada nas urgências do Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira, com o abdómen inchado, indisposto e com dificuldades em engolir. O episódio é contado pelo Bloco de Esquerda (BE) em comunicado: “Depois de uma ecografia, foi detectado o que parecia ser uma redução de fluxo sanguíneo na veia porta hepática algo grave, mas que precisava de confirmação, uma vez que a ecografia não poderia ser conclusiva.” Segundo o partido, a unidade hospitalar recusou fazer uma angioTAC “por, alegadamente, ser um exame caro”.
A administração do Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, onde o Hospital de São Sebastião está instalado, recusa a acusação. Numa nota enviada à imprensa, o centro hospitalar acrescenta que, por ano, são ali realizados mais de 20 mil exames de tomografia computorizada sem qualquer “restrição à sua realização”.
Mas, segundo o BE, o doente em causa teve alta com “os mesmos sintomas que tinha quando entrou nas urgências várias horas antes” e, no dia seguinte, deslocou-se ao Hospital Santos Silva, em Gaia, onde anda a ser acompanhado. O exame ainda não foi feito, mas está marcado.
O partido assegura que este não é um caso isolado no hospital da Feira, adiantando que há “vários outros doentes” a quem foram negados exames com a mesma explicação, mas que não se querem expor publicamente.
O BE pede a imediata intervenção do Ministério da Saúde. O partido quer saber se a recusa da realização de meios de diagnóstico é aceitável, se há mais casos semelhantes na Feira e em outras unidades hospitalares do país e se esta prática segue alguma determinação da tutela. “Não podemos aceitar que esta visão economicista coloque em causa a saúde e a vida das pessoas”, refere ao PÚBLICO Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do BE. “Queremos perceber se esta medida decorre de uma directiva que não é aceitável e coloca em causa os serviços de saúde.”
A administração do centro hospitalar garante que, “na situação apresentada, o exame não foi realizado exclusivamente por razões de natureza clínica, e por decisão dos médicos”.
O BE já expôs o caso à Assembleia da República. “O BE obteve a informação que esta não é uma situação isolada, sendo vários os utentes que se queixaram que o hospital se terá recusado a fazer determinados exames, alegando que são dispendiosos. Esta escolha coloca em causa a possibilidade de ter um diagnóstico conclusivo”, lê-se no documento.
O PÚBLICO tentou, sem sucesso, falar com o doente.

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