Os autarcas do Distrito de Bragança defenderam hoje que a retirada do helicóptero do INEM de Macedo de Cavaleiros implicará, além da maior demora no socorro, menos disponibilidade do meio aéreo.
O INEM vai desactivar os dois helicópteros a operarem actualmente no Norte, no Porto e em Macedo de Cavaleiros, passando toda a região a ser servida, a partir de um de Outubro, por apenas uma aeronave colocada em Vila real.
Os doze presidentes de Câmara do Distrito de Bragança apresentaram hoje, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela, uma providência cautelar conjunta para tentar travar, na Justiça, a retirada do helicóptero de Macedo de Cavaleiros.
Os autarcas alegam que a decisão viola os protocolos que celebraram há cinco anos com o Ministério da Saúde e, no âmbito dos quais, concordaram com o encerramento do serviço nocturno nos centros de saúde em troca do reforço da rede de emergência com ambulâncias e o meio aéreo.
“Não é compreensível que agora se rasgue pura e simplesmente um protocolo e que se deslocalize e o pior não estar em Macedo ou Vila Real: é que há (actualmente) dois na região Norte e passa a haver só um”, referiu Aires Ferreira, presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, que está a liderar o processo conjunto de contestação dos autarcas.
A principal preocupação, em termos de assistência às populações é que havendo apenas uma aeronave tanto “pode acorrer a Valença do Minho ou a Miranda do Douro, como a Paredes de Coura ou a Freixo de Espada à Cinta”.
“É muito quando se trata de salvar vidas”, afirmou.
Acresce ainda que a nova organização do socorro aéreo é articulada com o dispositivo de combate a incêndios florestais, “o que significa que não será um helicóptero dedicado apenas à saúde”.
O autarca socialista de Torre de Moncorvo contou que ele próprio é “prova” das dificuldades de a aeronave responder a todas as solicitações, mesmo com a actual distribuição de meios.
“Quando fiz, em Janeiro de 2011, um traumatismo crânio encefálico tive de ir de ambulância para o Porto porque o helicóptero estava a ser utilizado e só estava a servir Trás-os-Montes, agora imagine-se toda a região Norte”, frisou.
Demorou “três horas” a chegar de Bragança ao Hospital de Santo António, no Porto.
O presidente da Câmara de Mirandela, o social-democrata António Branco, resumiu a opinião dos colegas acerca desta medida: “a única fundamentação que existe nesta deslocalização é económica e quando na saúde se utilizam apenas argumentos económicos, fica de fora o mais importante da saúde que são as pessoas”.
O colega de Torre de Moncorvo lembrou que “já foi obtida uma redução de custos com o encerramento nocturno dos centros de saúde e agora nem centros de saúde abertos à noite e o helicóptero sai do Distrito”.
O helicóptero é o caso mais mediático, mas para o presidente da Câmara de Mirandela, António Branco, “há outras circunstâncias, nomeadamente a manutenção de serviços, de especialidades, das próprias urgências, de um conceito de saúde para região”.
Relativamente à expectativas sobre os resultados da providência cautelar afirmou que o que está em causa é: “até que ponto nós acreditamos no Estado como alguém de bem”.
“O Estado tem de ser uma pessoa de bem e respeitar os seus compromissos”, reiterou.
Mirandela avançou com providências cautelares noutras ocasiões, nomeadamente para obrigar o Ministério da Saúde a cumprir o acordo que garante a urgência médico-cirúrgica local, mas há dois anos que espera uma decisão judicial.
“A verdade é que esta população está a perder cuidados de saúde directos, é uma população envelhecida, é uma zona longe de todos os grandes centros”, afirmou.
De entre todos os autarcas da região, o de Freixo de Espada à Cinta, o socialista José Santos, disse ser “possivelmente o mais preocupado porque as acessibilidades do concelho são as piores e os utentes são aqueles que estão eventualmente em situação mais precária”.
O município é o mais isolado do Distrito de Bragança e nem as novas estradas ali chegaram.

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