Várias associações ambientalistas concentraram-se esta quinta-feira em Lisboa, diante das embaixadas do Japão e de Espanha, para exigir o encerramento das centrais nucleares espanholas e alertar para os efeitos da radioactividade.
O protesto, convocado em Portugal através das redes sociais, inseriu-se num conjunto de acções de âmbito ibérico, com manifestações simultâneas em 20 cidades espanholas, para exigir o encerramento das centrais nucleares.
Em Lisboa, a concentração iniciou-se junto à embaixada do Japão, na Avenida da Liberdade, onde cerca de duas dezenas de pessoas quiseram “de forma simbólica” prestar solidariedade ao povo japonês, que “enfrenta a ameaça nuclear” da central de Fukushima.
“Esta tragédia no Japão alertou-nos mais uma vez para o enorme perigo que representam as instalações nucleares. Aquilo que exigimos é que de uma vez por todas se opte por uma energia mais limpa e segura”, afirmou à agência Lusa Mara Fé, do Grupo de Acção e Intervenção Ambiental (GAIA).
A ambientalista referiu ainda que os portugueses decidiram juntar-se a este protesto ibérico devido à proximidade das centrais nucleares espanholas relativamente a Portugal, nomeadamente a de Almaraz, que fica junto ao rio Tejo, a 100 quilómetros da fronteira nacional.
“Em caso de acidente numa daquelas centrais, os impactos não iriam acabar na fronteira. Portugal poderia ser afectado pelos impactos, pois as partículas radioactivas podem viajar grandes distâncias”, alertou.
Presentes nesta acção de protesto, que terminou junto ao Consulado de Espanha, também na Avenida da Liberdade, estiveram representantes do partido Os Verdes, da associação ambientalista Quercus e da AZU (Ambiente em Zonas Uraníferas).
Após o violento sismo e tsunami, que abalou o Japão a 11 de Março, a central nuclear de Fukushima n.º 1, situada apenas a 250 quilómetros a nordeste de Tóquio, tem registado uma série de incidentes graves, fazendo aumentar os receios de uma contaminação radioactiva no arquipélago.
Desde então, cada um dos reactores (um, dois e três) sofreu uma explosão, tal como o reactor quatro, que estava em manutenção quando se deu o sismo de magnitude 9 na escala aberta de Richter.

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