O Algarve é a zona do país onde existe mais receio devido aos assaltos a residências e é também o local onde mais pessoas temem ser agredidas em consequência de actos criminosos. Um estudo intitulado Criminalidade e Insegurança, da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), refere que 52% dos portugueses têm medo de ver a casa assaltada, sendo que, no Algarve, essa média sobe para 64% dos inquiridos.
O estudo da APAV, efectuado com a empresa de sondagens Intercampus, incidiu não só sobre os receios provocados por eventuais assaltos às residências, mas também em relação aos sentimentos de segurança em termos pessoais e aos bens pessoais e a experiências pessoais vividas pelos entrevistados durante o último ano.
Os 601 entrevistados (com idade a partir dos 15 anos) distribuíram-se pelas zonas Norte, Centro, Lisboa, Alentejo e Algarve, tendo respondido cada qual a seis questões. No final, ficou-se a saber que apenas 19% das pessoas consideram perigosa a zona onde residem.
Dos que consideram perigosa a área onde habitam, 56% são mulheres e apenas 7% são residentes no Algarve. No entanto, é nesta província que existem mais receios declarados de assalto à residência, com 64% dos inquiridos a revelarem-no. Este medo pode explicar-se facilmente pela quantidade de assaltos em habitações ocorridos nos últimos tempos e, sobretudo, durante os meses de Primavera e Verão. O isolamento de muitas moradias, bem como a prevalência de uma população mais abastada e também mais idosa, pode servir para ajudar a explicar os resultados da sondagem.
Lisboa em segundo lugar
Os algarvios (50% dos inquiridos) são igualmente os que mais temem as agressões e a eventualidade de assaltos. Seguem-se os residentes na zona de Lisboa (46%) e os da Região Centro (45%).
Duas das seis questões colocadas atingiram percentagens superiores aos 50%. Assim, para além dos 52% de pessoas que a nível nacional revelaram ter medo que a sua residência fosse assaltada, houve ainda 64% que confessaram o receio de que o seu veículo seja alvo de furto ou dano.
Contradição nos dados
Os dados deste inquérito colidem, de algum modo com a síntese do último Relatório Anual de Segurança Interna, segundo o qual a criminalidade estaria a decrescer (ligeiramente) no país. É que agora, de acordo com os dados colhidos pela APAV, há quatro em cada dez pessoas que revelam ter medo de ser agredidas. Esta poderá ser, de resto, uma consequência, dos últimos dados estatísticos governamentais, que revelam ter havido, nos primeiros seis meses deste ano em comparação com igual período do ano passado, um acréscimo de 56% de crimes de homicídio.
Os números dizem ainda que, apesar de mais de metade das pessoas terem medo de a sua residência ser assaltada, apenas 19% consideram insegura ou perigosa a área onde residem. E quanto aos que receiam ser alvo de insultos, ameaças ou agressões no interior da própria casa, apenas 20% responderam afirmativamente.
Por fim, a última leitura que se faz do inquérito em causa é que cinco em cada 100 das pessoas interrogadas foram assaltadas, agredidas ou vítimas de qualquer outro crime durante o último ano. Este é um dos dados que, de resto, mais contribuem para generalizar o sentimento de insegurança tanta vezes manifestado por pessoas que acabam por ser alvo de roubos por esticão e outros assaltos na via pública.

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