As instituições de ensino superior, em particular as universidades, são entidades criadas e desenvolvidas pela sociedade, com funções, missão e objetivos específicos. Como instituições sociais estão sujeitas à própria dinâmica da sociedade. Em períodos de crescimento acelerado, requerido pelo desenvolvimento e organização social, torna-se mais provável a ocorrência de perturbações e cavadas assimetrias entre instituições (Institutos, Escolas e Universidades) e, até, no interior de cada uma (departamentos, centros, cursos). Em caso algum, todavia, crises de crescimento ou perturbações outras (por exemplo, diminuição da dotação orçamental do Estado, redução ou/e alterações estratégicas no apoio à ciência) deverão questionar o essencial. Muito menos a exacerbada mediatização de factos ocasionais com o seu interminável cortejo de interpretações, tanto mais publicáveis quanto mais sensacionalistas.
A Universidade, o essencial da Universidade, respeita à construção do conhecimento na sua permanente luta contra a ignorância, à criação e desenvolvimento de espírito crítico em interminável diálogo entre opostos, à admissibilidade do erro no caminho da verdade, em clima de liberdade e inerente responsabilidade.
É neste ambiente de efetiva liberdade e responsabilidade individual que a Universidade deve estar atenta e combater, com as armas do conhecimento e do saber, a indiferença que cega ou as verdades apriorísticas que, por isso mesmo, dispensam prova, conduzindo-nos por caminhos ínvios ou atalhos sem saída.
Durante as últimas semanas temos assistido a raras intervenções serenas e lúcidas, ampliando-se o ruído em torno de hipóteses não sustentadas e interpretações absurdas, sugerindo perigosas opções. E, todavia, compreendendo e partilhando emoções e dor a que não somos alheios, poderemos aproveitar o momento atual para, com serenidade, analisar o estado a que isto chegou, qual foi o nosso comportamento e o que fazer se, de facto, queremos mudar. Todos, porque todos somos responsáveis pelas múltiplas e diversas “praxes” instaladas na Universidade e na sociedade portuguesa; pelas sujeições e dependências de que não fomos capazes de nos libertar, antes acentuámos; pela prioridade quase absoluta dada à instrução e à cultura dos “papers”, em detrimento do ensino e da educação, negligenciando a sabedoria que sempre deve acompanhar o conhecimento.
Nas Universidades, como em tantas outras instituições, há um défice, porventura mais gravoso e difícil de controlar, de que somos todos, no ensino superior e na sociedade, inteiramente responsáveis e que só nós poderemos solucionar: o défice pedagógico e educativo.
A pior das sujeições é a “praxe” consentida. Apenas na educação encontraremos a solução adequada e duradoura, autenticamente emancipadora; a educação em liberdade e com responsabilidade de que todos deveremos ser autores. Na Universidade, na Escola, na empresa, no clube, na associação, no espaço público, em casa. Combatendo a indiferença e a ignorância atuando em função de valores, no respeito pelo outro. É esse respeito que se exige e impõe e que não pode nunca dar lugar à infâmia e à calúnia como infelizmente tão recentemente aconteceu nestas mesmas páginas.
É essa promoção da educação que, com total autonomia e assumindo as responsabilidades da função exercida, temos procurado concretizar, há mais de vinte anos, na Universidade Lusófona.
Director da Faculdade de Educação Física e Desporto, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias


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