Risco de exposição à malária vai aumentar no país devido a alterações climatéricas

A malária, uma doença vetorial, pode chegar a Portugal devido às alterações climatéricas Foto: AFP

O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Nuno Lacasta, disse esta sexta-feira que o aumento previsível da temperatura vai potenciar, em Portugal, o risco de exposição à malária.

“Este será um dos desafios importantes nos próximos tempos, ao nível da saúde, no âmbito das alterações climáticas”, sublinhou o responsável.

Nuno Lacasta explicou que a ameaça de surtos de doenças vetoriais, como é o caso da malária, deve-se “ao aumento previsível da temperatura” e que “mais do que amedrontar as pessoas”, estes alertas servem “para esclarecer e frisar a necessidade estudar e adoptar medidas preventivas.

“Sei que o Ministério da Saúde está atento a esta problemática há já um par de anos, mas penso que é importante que os portugueses estejam informados sobre este cenário”, justificou.

Nuno Lacasta acrescentou ainda que, no âmbito do fenómeno das alterações climáticas, os recursos hídricos vão constituir outro dos desafios para Portugal, sendo prioritário para o país estudar e prevenir questões como a eficiência, armazenamento de água e a disponibilidade deste recurso natural para consumo humano, agricultura e economia.

Uma situação a acautelar sobretudo porque, destacou, “Portugal vai ter ciclos cada vez mais frequentes e intensos de seca”.

As declarações do presidente da APA foram realizadas à margem do seminário “Turismo, Ordenamento do Território, Biodiversidade e Energia no Contexto das Alterações Climáticas”, que começou hoje em Mira de Aire, Porto de Mós.

A ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e Ordenamento do Território marcou presença na abertura da iniciativa que se prolonga até este sábado, mas recusou-se a falar, no final, aos jornalistas.

Na sua intervenção, Assunção Cristas insistiu em destacar a importância do Roteiro Nacional de Baixo Carbono 2050 (RNBC), apresentado no início da passada semana. A governante salientou o facto de serem definidas trajectórias que podem conduzir a uma redução das emissões de dióxido de carbono em, pelo menos, 50%, face a 1990. Só nesta vertente, segundo o Governo, o RNBC estima poupar entre 500 a 1200 milhões de euros na balança comercial de produtos energéticos.

“Queremos um país verde. Isso significa um país com mais floresta, com mais agricultura, mais sustentável”, capaz de “potenciar outros produtos como o turismo”, sem conflictuar com as necessidades de crescimento da economia, defendeu a ministra.

O seminário é organizado pela Câmara de Porto de Mós, em parceria com a Cruz Vermelha Portuguesa, Comissão Nacional da UNESCO e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

“O que se pretende neste evento é discutir estes temas actuais, que parecem tão diferentes, mas que se complementam. O objectivo passa por encontrar compromissos, realizar alertas e reflectir sobre os problemas que vivemos todos os dias, devido às alterações climáticas”, resumiu o presidente da Câmara de Porto de Mós, João Salgueiro.

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