O Ministério Público acusou três profissionais do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), dois operadores de telecomunicações e uma médica, por homicídio negligente com culpa grosseira, um crime punido com pena de prisão até cinco anos.
A acusação, anunciada esta segunda-feira no site da Procuradoria-Geral distrital de Lisboa, está relacionada com várias chamadas de emergência feitas em 2009 a pedir assistência para um homem de 72 anos, que acabou por morrer no Hospital de São José, em Lisboa, duas horas após o primeiro pedido de ajuda.
Os profissionais do INEM que atenderam as primeiras chamadas não mandaram qualquer meio de socorro, tendo aconselhado a mulher da vítima, que telefonara para o 112, a chamar os bombeiros. O marido tinha vomitado, caído no chão e queixava-se de dores fortes e persistentes no peito.
“Perante as repetidas descrições do estado da vítima e os aflitivos pedidos de apoio, iniciados cerca das 20h28, mesmo assim foram dizendo que devia chamar os bombeiros e utilizar esse transporte”, lê-se na nota publicada no site. Só mais de uma hora depois, quando o paciente ficou inconsciente enquanto seguia para o hospital numa viatura particular, o INEM acedeu a transportá-lo. Entrou no São José cerca das 22h e morreu meia hora mais tarde.
“Veio a falecer às 22h30 em consequência, de acordo com o indiciado, do período de 1h30 de demora na intervenção médica pedida desde o início com urgência, que impediu a tomada dos procedimentos médico-cirúrgicos adequados”, diz a nota do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, emitida artavés do site da Procuradoria-Geral distrital.
O assessor de imprensa do INEM, Pedro Coelho dos Santos, recusa-se a comentar o caso.

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