Portugueses doaram 2914 toneladas de comida aos bancos alimentares

Quantidade de alimentos recolhidos nos dois dias do último fim-de-semana ficam ligeiramente abaixo da registada em 2011, ano em que já tinha havido uma quebra.

Mais de 38 mil voluntários envolveram-se na recolha Paulo Pimenta

Expectativas superadas e missão cumprida. É desta forma que a presidente da Federação de Bancos Alimentares, Isabel Jonet, resume o saldo da campanha de recolha de alimentos que decorreu em centenas de supermercados do país.

“Os portugueses são extraordinários! As quantidades recolhidas e o número recorde de voluntários envolvidos mostram quanto são solidários", diz Isabel Jonet, num comunicado enviado já nesta segunda-feira de madrugada, depois de feita a contagem dos bens recolhidos em 1663 superfícies comerciais no continente e Açores.

Tudo somado, os portugueses doaram 2914 toneladas de alimentos que serão distribuídas como ajuda alimentar por 2373 instituições de solidariedade social a partir da próxima semana. Um desfecho que fica ligeiramente abaixo dos resultados da campanha de Dezembro de 2011, quando se recolheram 2950 toneladas, mas que mesmo assim é positivo, diz Jonet, alegando que isto prova que os portugueses "sabem distinguir o essencial do acessório". Uma alusão que parece a propósito da polémica gerada pelas declarações que Isabel Jonet fez, na SIC Notícias, a 8 de Novembro, sobre o empobrecimento do país e que levantaram, na imprensa e noutros media, um coro de protestos.

Na altura, Jonet declarou que “os portugueses vivem muito acima das possibilidades” e que, por isso, vão ter que “aprender a viver com menos”, algo que levou a que fosse acusada de usar a fome como arma política.

Houve especulações sobre o impacto desta polémica na campanha de recolha levada agora a cabo. E se houve efeitos, foram praticamente nulos. Nem mesmo a crise, que se agravou, teve um efeito tão grande quanto está a ter sobre a vida de milhares de portugueses, como salienta Isabel Jonet. Esta responsável considera que apesar do momento actual, o país deu "uma resposta clara de inconformismo e de disponibilidade para ajudar a minorar as dificuldades daqueles que mais precisam".

"Quando acreditam e confiam nos projectos, os portugueses dizem presente, conforme tem sucedido desde há mais de 20 anos", sublinha.

No sábado, primeiro dos dois dias da campanha de recolha, tinham sido angariadas 1300 toneladas de alimentos. Um valor que subiu um pouco no domingo, graças à adesão das famílias portuguesas e do trabalho dos milhares de voluntários que se envolveram na iniciativa. De acordo com os números da federação de bancos, 38.500 pessoas disponibilizaram algum do seu tempo para participarem na recolha, desempenhando tarefas como transporte, pesagem e separação de produtos.

A recolha de ajuda alimentar não termina aqui. Até 9 de Dezembro será possível continuar a contribuir via Internet, através do site www.alimenteestaideia.net. E prossegue também a campanha "Ajuda Vale", em diversas redes de superfícies comerciais, onde estarão disponíveis cupões de produtos seleccionados. Quem quiser doar só precisa de se preocupar com os cupões. A respectiva cadeia comercial tratará de entregar a mercadoria aos bancos alimentares, que contrataram uma empresa externa para auditar as doações.

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