Mais de 80% dos portugueses, inquiridos num Eurobarómetro divulgado esta segunda-feira, mostram-se dispostos a comprar mais ou a pagar mais pelos produtos se estes forem mais acessíveis e mais bem concebidos para todos (incluindo pessoas com deficiência e idosos).
Na União Europeia (UE), os portugueses são os que demonstram mais abertura para pagar um valor mais elevado por produtos adequados a pessoas com incapacidades. Esta segunda-feira é o Dia Europeu das Pessoas com Deficiência.
Apesar de a percentagem dos inquiridos que disse ter alguém em casa com uma doença ou um problema de saúde prolongado (no mínimo seis meses de duração) ser mais baixa em Portugal (26%) do que no conjunto dos 27 países da UE (29%), por cá é maior a faixa de cidadãos que destacam as dificuldades sentidas pelas pessoas com deficiência quando usam um passeio ou atravessam a rua num semáforo – para um quarto dos portugueses isso acontece na "maioria das vezes", contra 15% do total dos inquiridos no Eurobarómetro. Os portugueses reportam também mais dificuldades no uso de computadores e telefones pelas pessoas com incapacidades, na compra dos produtos de que necessitam e no uso de sites oficiais das autoridades.
De resto, como seria de esperar, a maior parte (86%) dos indíviduos que responderam a este inquérito acredita que a aplicação de soluções de acessibilidade semelhantes permitiria que as pessoas com deficiência viajassem, estudassem e trabalhassem noutro país, e 78% defendem que a existência de normas comuns facilitaria a actividade das empresas no mercado único. Além disso, sete em cada dez consideram que o reforço da acessibilidade a bens e serviços melhoraria muito a vida das pessoas com deficiência, dos idosos e de outros como os pais de crianças pequenas.
Na UE estima-se que uma em cada seis pessoas (cerca de 80 milhões) tem uma deficiência e mais de um terço com mais de 75 anos têm incapacidades.
A Comissão Europeia prepara-se para apresentar propostas para um Acto Europeu da Acessibilidade, com uma avaliação exaustiva de medidas destinadas a reforçar a acessibilidade na Europa, que deverá ser aprovado no próximo ano. O objectivo é eliminar as barreiras que dificultam a vida às pessoas com deficiência até 2020.

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