O anúncio oficial foi feito na passada sexta-feira, através da página do Facebook do programa. “Caros amigos, o Câmara Clara e o Diário Câmara Clara terminam no fim de 2012”, começa por ler-se no inicio do comunicado, assinado pela jornalista Paula Moura Pinheiro, que explica que a decisão já tinha sido tomada em Junho, altura em que terá sido comunicada ao então director da RTP2, Jorge Wemans.
No comunicado, a apresentadora mostra-se orgulhosa do serviço público prestado e afirma aceitar “com naturalidade” a possibilidade de serem substituídos por um outro programa que cumpra a função atribuída até agora ao que termina. No entanto, não deixa de questionar o espaço que será reservado à “inovação nas artes e nas ideias e a conservação do nosso extenso e precioso património cultural, da literatura à arquitectura”.
Com igual preocupação reagiram centenas de espectadores do programa. O comunicado foi partilhado quase três mil vezes, e os comentários dos espectadores descontentes não param de surgir. “Inacreditável!”, “lamentável” e “vergonhoso” são apenas alguns dos adjectivos que se podem ler nos mais de 700 comentários que já existem.
Ainda na noite de sexta-feira foi criado um grupo aberto no Facebook, que conta já com mais de 13 mil membros.
Pelo meio, vários “não nos conformamos”. E serão alguns desses que assinam agora a petição que defende a continuidade do “programa semanal de entrevistas e reflexão acerca do universo de criação intelectual, linguística, artística e de produção cultural”.
Para os signatários, “os últimos seis anos e meio de emissões” transformaram o programa em muito mais do que uma agenda cultural ou de entretenimento. “O programa Câmara Clara assumiu-se como um espaço de análise, reflexão, debate e procura de convergências”, afirmam.
Na petição, os signatários questionam o papel do espectador enquanto contribuinte na reivindicação de uma grelha de programação que “assegure a preservação dos valores da língua, património, ideologia, pensamento, crença religiosa e educação”. Por programas culturais em canal público, os espectadores pedem que as gerações futuras não sejam comprometidas com um “serviço público desclassificado, inócuo e propagandista”. Até ao início da tarde desta segunda-feira, a petição tem mais de uma centena de signatários.

Comentários