Passos diz não ter medo do "julgamento dos portugueses" nas autárquicas e europeias

Passos apresentou ontem candidato do PSD/CDS na Amadora DANIEL ROCHA

O líder do PSD ouviu insultos e vaias à chegada e à saída da apresentação do candidato da coligação à Câmara da Amadora

No dia em que se assinalavam dois anos de vitória eleitoral do PSD, Passos Coelho gastou ontem muito do seu discurso a falar dos governos de Sócrates. Mas deixou uma mensagem de esperança - "Vamos ver o fim desta crise" - e um recado para os próximos combates nas urnas: "Não tenho medo dos resultados das eleições autárquicas, não tenho medo das europeias, não tenho medo dos portugueses e do seu julgamento."

À entrada e à saída da apresentação do candidato PSD/CDS à Amadora, o ambiente foi hostil, com vaias, insultos e muita segurança. A rua foi fechada ao trânsito automóvel e pedonal. De longe, em frente ao edifício Recreios da Amadora, algumas pessoas gritaram "palhaço" e protestavam com os agentes da PSP por não poderem passar.

Já dentro da sala, o ambiente descontraiu-se ao som de um solo de saxofone. Em jeito de balanço na passagem de dois anos de eleições, Passos Coelho recuou até ao pedido de resgate "tardio" do anterior Governo PS. E aproveitou para criticar as opções do Governo de Sócrates. "No dia em que foi público o apoio do PSD para evitar o resgate foi assinado o contrato do TGV", recordou.

O líder social-democrata recuou até às eleições de 2009 para lembrar que o Governo socialista de então "ocultou" o défice real. De volta ao presente e aos últimos dois anos, Passos Coelho referiu que "dois terços do ajustamento já foram cumpridos". Admitiu que não sem ter tido "surpresas" e reconheceu dificuldades, colocando o discurso na primeira pessoa. "Sei o que é não ter condições para manter uma empresa, sei o que é ficar desempregado", disse, acrescentando logo depois que o défice e o desemprego "não são de agora", embora sejam mais profundos na actualidade.

Lembrando que Portugal está "a um ano de recuperar autonomia" e de fazer escolhas "sem prestar contas à troika a cada três meses", Passos Coelho advertiu que "não será um passe de mágica a resolver os problemas", mas rejeita voltar ao modelo de desenvolvimento anterior. "Nós não dizemos que temos um paraíso na terra. Sabemos que a nossa recuperação vai ser lenta e vai exigir muito esforço. Vamos ver o fim desta crise e começar a recuperação", afirmou, perante uma sala cheia de militantes do PSD.

Já com as eleições de Outono no horizonte, o líder dos sociais-democratas referiu que são "distintas" mas estão "interligadas". E deixou mais uma variação da frase "que se lixem as eleições", que disse no ano passado e que caiu mal no partido. "Não tenho medo dos resultados das eleições autárquicas, não tenho medo das europeias, não tenho medo dos portugueses e do seu julgamento", proclamou no auditório de uma cidade em que foi também candidato a presidente de câmara, em 1997, e foi vereador até 2001.

Em dia de balanço de dois anos do Governo, Passos Coelho disse ter "muito orgulho do trabalho da gente que pôs o interesse do país à frente dos seus próprios [interesses]".

Pouco antes do seu discurso, ouviu do parceiro de coligação um conselho sobre gastos na campanha. "Não se pode gastar quantias obscenas", avisou António Carlos Monteiro, secretário-geral do CDS, que teve uma presença muito discreta na sessão. "Temos de ser sóbrios e autênticos", acrescentou o dirigente centrista, que esteve acompanhado pelo presidente da distrital de Lisboa do CDS, Telmo Correia.

Na sua intervenção, o candidato Carlos Silva prometeu ir "freguesia, a freguesia, casa a casa" para convencer os eleitores do projecto PSD--CDS. E para derrubar uma gestão socialista de há 16 anos.

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