Dívidas acumuladas ultrapassarão os 16 milhões de euros. A maior dívida é a do Hospital de Santa Maria, em Lisboa
As seis farmácias que abriram junto dos hospitais estão numa situação cada vez mais complicada. Com apenas cinco anos, o projecto lançado pelo Governo de José Sócrates para melhorar a acessibilidade dos doentes e proporcionar ganhos financeiros aos hospitais parece estar a caminho do abismo.
As dificuldades de pagamento das elevadas rendas e percentagens de facturação acordadas com os hospitais estão na origem dos problemas destes estabelecimentos. As dívidas acumuladas pelas seis farmácias que foram abrindo desde 2008 ultrapassarão os 16 milhões de euros, segundo as contas avançadas pelo Diário de Notícias, no domingo.
A maior dívida, que corresponde a quase metade do total, é a da farmácia que funciona no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Ultrapassará os 7,5 milhões de euros. Segue-se a da farmácia do Centro Hospitalar de Coimbra (cerca de 3 milhões de euros) e a do Hospital de S. João, no Porto (mais de 2,8 milhões de euros.
As farmácias dos hospitais de Faro, de Penafiel e de Leiria devem montantes menores, mas esta última, a primeira a abrir portas (em Setembro de 2008) já foi declarada insolvente há dois anos e viu recentemente o seu contrato anulado. O mesmo aconteceu com a farmácia do Centro Hospitalar de Coimbra, que poderá fechar, segundo aquele jornal. As outras quatro têm também pendentes acções judiciais para cobrança das dívidas que não conseguem saldar e que se agravam à medida que o tempo passa.
O problema já se arrasta há algum tempo. Os proprietários das farmácias lamentam ter assinado com os hospitais contratos com rendas demasiado elevadas, baseadas em estimativas de vendas que vieram a revelar-se cada vez mais irrealistas, à medida que os preços dos medicamentos têm vindo a baixar.
No caso da farmácia do Hospital de Santa Maria, por exemplo, a renda anual acordada é de 600 mil euros a que se soma 22% da facturação.

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