Estação biológica do arquitecto João Maria Trindade recebe o Prémio FAD

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A estação é "uma peça singular que quase levita sobre a paisagem" André Carvalho/José Manuel Silva

Com "surpresa e agrado" foi como João Maria Trindade recebeu, na quinta-feira, a notícia de que tinha sido distinguido com o Prémio FAD - Arquitectura pelo seu projecto da Estação Biológica do Garducho, no concelho de Mourão. Não porque não soubesse que o seu trabalho estava na lista dos 27 finalistas do prestigiado prémio ibérico anualmente atribuído pela Arquinfad, de Barcelona. Mas porque não esperava que ele viesse ao seu encontro na fase inicial da carreira do seu atelier, estabelecido em 2004.

Na acta de justificação do prémio, o júri (de que fez parte o arquitecto português Paulo David, distinguido em 2006 na categoria Paisagem, pelo conjunto restaurante e piscinas das salinas em Câmara de Lobos, na Madeira) elogiou o projecto de Trindade por ele "abrir novos caminhos" para a arquitectura ao entender o espaço onde se instala como algo a valorizar em vez de algo a colonizar.

João Maria Trindade diz que essa preocupação não esteve sobre o estirador quando desenhou o projecto, em 2005. "Nessa altura, não tínhamos tempo para teorizar, mas é agradável, agora, ouvirmos essas leituras e poder concordar com elas", diz.

A Estação Biológica do Garducho, na Amareleja, foi lançada pelo Centro de Estudos Avifauna Ibérica, uma ONG com sede em Évora (terra natal do arquitecto) e que tem ali um posto avançado de intervenção em área protegida. O edifício aí construído aproveitou a infra-estrutura de um posto da Guarda Fiscal em ruínas, onde agora existem uma residência para técnicos e cientistas, laboratórios e um arquivo e galeria de exposições abertos ao público.

O conjunto é "uma peça singular que quase levita sobre a paisagem" e que permite "investigar a própria paisagem", diz a acta do júri, que, em anos anteriores, distinguiu outros arquitectos portugueses como João Luís Carrilho da Graça, Eduardo Souto de Moura e os irmãos Aires Mateus.

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