Bloco de Esquerda espera demissão do Governo depois das autárquicas

João Semedo e Fernando Rosas centram discursos nas questões nacionais

O coordenador do BE e candidato à Câmara de Lisboa, João Semedo, espera que estas eleições autárquicas sirvam para os portugueses "condenarem" a política de austeridade levada a cabo pelo actual Governo e que o voto na esquerda se traduza "num passo em frente no sentido da demissão do Governo". Este foi um dos pontos abordados ontem, em Lisboa, por João Semedo num comício do BE que contou ainda com intervenções de outros bloquistas como Fernando Rosas. O historiador também vê nestas eleições "uma oportunidade para derrotar a direita e para condenar uma política" que "vai criar em Portugal a maior distância social de sempre e destruir factores de crescimento e de produção que demorarão 25 anos a recuperar". "É preciso politizar estas eleições", disse Fernando Rosas, pouco antes de discursar ao PÚBLICO, apelando ao debate em torno dos grandes temas nacionais que dominam a actualidade política. Para além de objectivos locais, que passam, entre outros, por manter a Câmara de Salvaterra de Magos, por entrar na autarquia de Lisboa e por conseguir um vereador em alguns municípios das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e na península de Setúbal, também João Semedo quer trazer outras discussões para estas eleições, como a política de austeridade do Governo. ­­ O candidato do BE em Lisboa criticou ainda a "dissimulação da vida portuguesa" que diz existir não só no Governo, onde há um "discurso a duas vozes", a de Passos e a de Portas, mas também na oposição de Seguro que se diz "contra a austeridade, mas aceita negociá-la". "Há necessidade de estas eleições serem politizadas, não são eleições com um sentido meramente autárquico, são eleições que vão ter, quer se queira quer não, um sentido político importante no futuro do governo e na situação política", afirmou Fernando Rosas, sublinhando que as políticas que têm sido levadas a cabo pelo Governo vão piorar a vida dos portugueses: "Vem aí uma avalanche de medidas que se conjugam absolutamente com a intransigência das autoridades europeias, que dizem que não há flexibilidade para o défice, o que significa que vamos entrar num novo ciclo de recessão", afirmou. Maria João Lopes

Comentários

Os comentários a este artigo estão fechados. Saiba porquê.

Nos Blogues