Associações alertam para "destruição" do Colégio Militar

O Colégio Militar é frequentado actualmente por 360 alunos daniel rocha

Ex-alunos e pais contra fusão do Colégio e do Instituto de Odivelas.

Os pais dos actuais e antigos alunos do Colégio Militar (CM) assumiram, segunda-feira, em comunicado as críticas ao iminente anúncio da reestruturação das instituições de ensino militar. "O ministro da Defesa prepara-se para condenar à destruição dois dos mais conceituados estabelecimentos de ensino militar."

Em causa está a fusão dos dois colégios, que Paulo Amaral, responsável da associação de pais do CM, afirma estar em ponderação, com o encerramento do Instituto Odivelas e a transformação do colégio num externato misto. Uma solução que considera ser um "modelo de gestão errado" que "destrói o projecto educativo" que as duas escolas representam.

Amaral alerta para o facto de a decisão estar em vias de ser tomada sem que o Ministério da Defesa tenha tido em conta as posições daquelas duas associações. Que, garante, sempre se mostraram disponíveis para trabalhar numa solução capaz de resolver os elevados custos do Estado por aluno.

O professor da Universidade Católica e gestor de empresas acrescenta ainda que a associação preparou um plano que permitiria cortar nos custos sem encerrar nenhuma das duas escolas. O plano admitia a integração de serviços comuns partilhados em áreas como a secretaria ou a lavandaria, a integração de turmas para disciplinas mais específicas, a instalação do ensino básico e o aproveitamento das instalações existentes para a realização de campos de férias e palestras de liderança.

Paulo Amaral afirmou estar seguro que dessa forma seria possível reduzir o diferencial de gastos por aluno que o Colégio Militar e o Instituto de Odivelas representam em relação ao custo médio por aluno que o Estado despende. "Nós fizemos as nossas contas. O Estado gasta mais três mil euros por aluno no Colégio Militar do que noutra escola e mais dois mil em Odivelas", reconhece Amaral. O plano defendido pela associação implicaria que o Estado passasse a gastar no CM e em Odivelas o mesmo que investe noutras escolas. Mas, aparentemente, não estão a ter sucesso. "Tentámos ser ouvidos e não conseguimos", critica. Daí que tenham decidido reagir depois de, numa reunião no CM, ter sido comunicado pelo director, aos pais e professores, que a fusão estava em cima da mesa.

Perante as críticas, o Ministério da Defesa optou pelo silêncio. Desde o final do passado ano que foi criada uma comissão de acompanhamento da reforma do ensino militar, presidida por Joaquim Azevedo, ex-secretário de Estado do Ensino.

Uma reforma que o ministro considerou necessária devido ao rácio colaborador/aluno - 550 dos primeiros para 820 dos segundos - nos estabelecimentos de ensino militar (CM, Odivelas e Pupilos do Exército) e aos custos inerentes. Pelas contas do ministério, um aluno do CM (actualmente com 360) custa ao Estado por ano 12 mil euros, uma aluna de Odivelas (320 estudantes) 10 mil e 30 mil nos Pupilos (140 jovens).

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