O secretário-geral do PS afirmou hoje que vai sensibilizar os responsáveis sociais-democratas germânicos, em Berlim, para o carácter “nefasto” da receita de austeridade aplicada em Portugal, advertindo que está em causa “a dignidade” do país.
“Neste momento, em Portugal, o que está em causa já não é só questão do défice ou a questão da consolidação orçamental. Está em causa a nossa dignidade como país”, advogou António José Seguro em declarações à agência Lusa.
O secretário-geral do PS falava à agência Lusa na véspera de iniciar uma deslocação de dois dias à Alemanha [na quinta e na sexta-feira], onde se encontrará com o candidato social-democrata germânico a primeiro-ministro, Peer Steinbruck, com o líder do SPD, Sigmar Gabriel, e com outros responsáveis deste partido.
Estes encontros, em Berlim, inserem-se nas acções europeias do secretário-geral do PS para sensibilizar forças da sua família política para a situação portuguesa e seguem-se a uma reunião que teve na quinta-feira passada, em Paris, com o presidente francês, François Hollande.
“A chanceler [Angela] Merkel não dispõe de maioria no Parlamento alemão, o SPD assume neste quadro uma grande importância e pode ganhar as eleições no próximo ano”, observou António José Seguro.
Confrontado com o facto de a posição do SPD, designadamente a do seu candidato a primeiro-ministro, ser mais fechada do que a dos socialistas franceses em relação à necessidade de disciplina financeira num quadro de austeridade, o secretário-geral do PS respondeu: “Se a posição [do SPD] fosse coincidente com a nossa escusava de ir a Berlim”.
“Vou a Berlim para, a partir da realidade portuguesa, demonstrar que a receita que está a ser aplicada em Portugal é errada, que após um ano em vigor aumentou a dívida, não resolveu os problemas do défice, aumentou o desemprego para números astronómicos, está a dar cabo da economia, empobrece o país e que, ainda por cima, o Governo português quer insistir no mesmo erro no próximo ano. Vou sensibilizar as pessoas que podem decidir na União Europeia para que se olhe para Portugal com olhos diferentes”, justificou António José Seguro.
Nas declarações que fez à agência Lusa, o líder socialista defendeu que, na sua perspectiva, Portugal “não está no bom caminho, mas antes num péssimo caminho”.
“Alguém tem de dizer isto. Se o primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho] não o diz, eu digo. Considero que o líder da oposição em Portugal não deve sentar-se aqui no Parlamento a dizer que faria diferente, mas antes, como tenho feito, explicar como faria diferente e lutar na Europa - coisa que tenho andado a fazer há mais de um ano - para que Portugal possa ter um caminho alternativo”, sustentou.
Entre as mensagens que deixará em Berlim, o secretário-geral do PS salientou também a ideia de compromisso, segundo a qual “os portugueses querem pagar as suas dívidas até ao último tostão”.
“Mas os portugueses querem fazer isso de forma digna e sustentável. Portugal quer consolidar as contas públicas e reduzir o défice, embora o preço para isso não seja o de empobrecer os portugueses, lançar milhares e milhares de cidadãos no desemprego e matar empresas”, disse.
De acordo com o líder socialista, em toda a Europa, “é preciso dizer que os portugueses querem pagar até ao último cêntimo, salientando ao mesmo tempo que a saída para a crise tem de colocar prioridade no emprego e no crescimento com disciplina orçamental”.
“Posso não conseguir os meus propósitos, mas há uma coisa que não faço: Eu não desisto e vou lutar. Estou a lutar há mais de um ano desde que assumi a liderança do PS”, disse.
Neste seu método, António José Seguro advogou que o tempo lhe tem dado razão.
“Ao contrário de outros políticos, não fiquei sentado no sofá à espera de resultados, avisei antes desta receita começar a ser aplicada pelo Governo.
“Sei que muita gente, talvez a maior parte, deu o benefício da dúvida ao Governo. Hoje, perante as consequência sociais e económicas desta política, o normal e inteligente seria arrepiar caminho, mas o Governo quer insistir nele”, acrescentou em tom de lamento.

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