Viticultores forçam entrada de edifício para falarem com a ministra da Agricultura

Assunção Cristas mandou transmitir que estaria disponível para receber uma delegação Foto: Pedro Cunha

Cerca de 20 viticultores forçaram este sábado a entrada no Solar do Vinho do Porto, Régua, para tentarem falar com a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, que ainda não havia chegado ao espaço.

A chegada da comitiva, que incluía o secretário de Estado do Desenvolvimento Rural, ao local para onde a ministra tinha agendado um almoço de trabalho provocou a precipitação entre os lavradores e dirigentes associativos.

Gritando “O Douro é nosso” e empunhando dois grandes cartazes, os manifestantes forçaram a entrada no solar. “Isto é nosso, vamos entrar”, gritou um dos viticultores que se encontrava mais exaltado.

Primeiro, bateram com força na porta, que abriram para entrarem no espaço. A GNR foi forçada a intervir e, depois de algumas conversações, encaminhou os viticultores à saída do edifício.

Só depois de os ânimos acalmaram é que Assunção Cristas mandou transmitir que estaria disponível para receber uma delegação no hotel onde estava, mas os manifestantes acabaram por desmobilizar pouco depois.

Os agricultores queixam-se de uma vindima de dificuldades, agravada pela queda de granizo em Maio e Julho, que provocou elevados prejuízos em vinha e pomares da região.

Nos cartazes podia-se ler: “Dizemos não às troikas e a estas políticas, exigimos do Governo mais apoios públicos para o Douro”, “As vinhas e as aldeias vão arder e o nosso povo vai morrer” e “Não à baixa do preço das uvas e do vinho”.

Quando começaram a chegar os primeiros carros, os manifestantes deitaram no chão um recipiente cheio de uvas, começaram a pisá-las e a gritar palavras de ordem contra o Governo.

Esta é a segunda vez, em dois dias, que Assunção Cristas tem à sua espera protestos de agricultores. Já ontem, centenas de agricultores com chocalhos aguardaram a saída da ministra da feira de Agrovouga, no parque de Exposições de Aveiro. Cristas dispôs-se a falar com os agricultores, apesar da protecção policial que dificultou o diálogo com Albino Silva, dirigente da Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro (ALDA).

Hoje, na Régua, Berta Santos, dirigente da Associação dos Vitivinicultores Independentes do Douro (AVIDOURO), referiu que os produtores reclamam “apoio financeiro a fundo perdido” por causa das intempéries deste ano. Um alerta deixado a dois dias de a ministra da Agricultura ir a Bruxelas para uma reunião com os seus homólogos europeus.

O Governo já anunciou que pretende ajudar os viticultores afectados através da atribuição de apoio financeiro aos agro-químicos, utilizados para o tratamento das videiras após a intempérie.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território (MAMAOT), até 16 de Agosto declararam prejuízos 256 viticultores, o que corresponde a uma área de 817 hectares espalhados pelos concelhos de Sabrosa, Alijó, Murça, São João da Pesqueira e Vila Nova de Foz Côa.

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