A chanceler Angela Merkel foi este domingo à tarde julgada em Viseu, na praça pública. Não houve direito a defesa, apelos ou recursos, mas também não foi fácil “vergar” o boneco que simbolizava a chanceler alemã. Texto de Sandra Rodrigues
Um grupo de cidadãos actuou como o colectivo de juízes e de carrascos no julgamento em que os delitos atribuídos à chanceler alemã foram castigados com vergastadas e pauladas.
“Por impor miséria fora de portas e atentar contra a soberania de Portugal: uma paulada”, sentenciava o juiz. Enquanto isso, alguns cidadãos atingiam com paus e ferros uma cabeça feita de papel e com o rosto de Merkel que amanhã estará em visita oficial a Portugal durante cinco horas.
“Por ser feia, por ter o Gaspar no bolso, por vir comer sem ser convidada pelo povo: uma vergastada”, continuava o juiz. Porém, foram precisas muitas pauladas e vergastadas para finalmente a cabeça do boneco ceder. “Não foi fácil abrir-lhe a cabeça, mas isto com ferros foi lá”, salientou um dos participantes neste julgamento simbólico.
“Através da boa disposição e aproveitando algumas tradições, quisemos deixar o nosso protesto contra a acção de Angela Merkel e dos seus lacaios portugueses”, justificou Nuno Correia, um dos promotores da iniciativa e que faz parte do grupo “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas de volta”.
A ideia começou com o desafio lançado nas redes sociais para protestar contra a visita da chanceler alemã a Portugal. “Muitos de nós não podemos ir a Lisboa porque é dia de trabalho, e lá será o epicentro. Aqui é uma pequena demonstração do nosso descontentamento”, disse António Gil, professor e poeta.
De ideia em ideia, a iniciativa foi ganhando mais expressão e acabou por se transformar num magusto de protesto - até porque hoje é dia de S. Martinho. Cada participante levou castanhas, jeropiga e bolos para a concentração que decorreu na Rua da Paz.
“Este local é também ele simbólico, porque fica junto [de delegação] do Banco de Portugal e da Câmara Municipal, dois símbolos dos centros de poder”, explicou Nuno Correia. O magusto continuou até à noite com a declamação de poemas, canções e pinturas.

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