Os tempos estão difíceis, prestando-se a muito pessimismo. O retrato da Europa que esta quinta-feira foi tirado no primeiro debate da Universidade de Verão do PS surgiu nublado e pouco promissor.
Às críticas aos líderes europeus e à sua falta de respostas feitas pela eurodeputada Edite Estrela juntou-se o cenário pessimista de fragmentação europeia desenhado pelo professor catedrático de Filosofia, Viriato Soromenho Marques.
Foi o universitário que apresentou a fragmentação europeia como o “cenário mais provável no médio prazo” para a União Europeia. A consequência de anos contínuos de “agonia”, para a qual tinham contribuído os actuais líderes europeus. Para o professor, portanto, o risco era de uma Europa partida em “grupos de regiões de países”.
Um tom ainda mais carregado que o da intervenção de Edite Estrela, que horas antes culpara os governos conservadores da Europa pelapermissividade perante os mercados. O que só revelava a “crise de liderança e de confiança” na Europa.
A única esperança estava na França, resumia Marques, caso esta escolhesse ficar do lado dos países latinos, tornando-se assim num “factor dissuasor” para os erros alemães.
Soromenho Marques ainda apontou a saída à Europa, através do federalismo. Mas com a intervenção do eurodeputado Capoulas Santos percebeu-se que nem mesmo entre os federalistas se acredita na possibilidade. Considerou a proposta “irrealista”, lembrando os referendos em França e na Holanda.
E salientou mesmo para o risco da insistência na proposta poder resultar na “fragmentação” para que Soromenho Marques alertara.

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