Carlos Silva, secretário-geral da UGT, assinalou nesta quarta-feira a disponibilidade da central sindical para “enfatizar” a convergência com a CGTP. E não descartou a convocatória de uma greve geral como forma de luta para responder, antes de mais, ao "ataque" que está em curso à função pública.
“Não está fora de hipótese nenhuma forma de luta”, sublinhou Carlos Silva, no final de um encontro com o Presidente da República, Cavaco Silva, que durou pouco mais de hora e meia.
O líder da UGT afirmou que levou ao Palácio de Belém as preocupações da central sindical com as “medidas gravosas” que o Governo impõe ao país, afirmando que há disponibilidade para o diálogo, mas que a margem de negociação é cada vez menor.
"Estamos dispostos a enfatizar a nossa convergência para várias formas de luta”, disse Carlos Silva. O líder da central sindical adiantou que UGT e CGTP têm que “negociar” para que “ninguém leve a bandeira”, não descartando a hipótese última de uma greve geral subscrita pelas duas centrais sindicais para fazer frente ao "ataque" que está em curso à função pública, à semelhança do que aconteceu quer em 2010, quer em 2011.
Carlos Silva sublinhou a disponibilidade do Presidente da República para “reforçar os seus contactos” juntos do Executivo, assinalando a importância da “solidariedade” da Europa nesta matéria.
O líder da UGT avançou igualmente ter dito a Cavaco Silva que não “compreende a submissão do Governo português à troika e a outros governos europeus” e manifestou que é importante o empenho do Governo e do principal partido da oposição para a renegociação do memorando assinado com as instâncias internacionais num quadro de alargamento do prazo e de redução das taxas de juros. Segundo o líder da UGT, Cavaco traçou “grandes constrangimentos” para esta renegociação.
Carlos Silva deixou assim a porta aberta “a todas as formas de luta” e pediu ao chefe de Estado que apele à "sensibilidade social" do Executivo. O sindicalista salvaguardou a intenção da UGT de evitar “a conflitualidade social”, caso haja uma “inflexão” por parte do Governo nas medidas adoptadas, nomeadamente, com as reformas anunciadas para a administração pública.
“Preferíamos evitar a conflitualidade social, mas perante as medidas em cima da mesa não temos margem de manobra”, disse.

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