Silva Peneda defende que decisão do TC pode implicar renegociação com troika

Antigo ministro social-democrata afasta cenário de crise política, mas acredita que caso algumas normas do Orçamento do Estado sejam inconstitucionais haverá renegociação de prazos.

Silva Peneda não acredita que uma ou duas normas inviabilizem todo o Orçamento Daniel Rocha

O antigo ministro Silva Peneda entende que uma eventual declaração de inconstitucionalidade de alguma das normas mais polémicas do Orçamento do Estado para 2013 pode implicar uma renegociação dos prazos com a troika.

O antigo ministro Silva Peneda entende que uma eventual declaração de inconstitucionalidade de alguma das normas mais polémicas do Orçamento do Estado para 2013 pode implicar uma renegociação dos prazos com a troika.

Silva Peneda, que falava numa entrevista à Rádio Renascença, defendeu ainda que “não passa pela cabeça de ninguém” que as decisões do Tribunal Constitucional sobre o Orçamento do Estado “não sejam aplicadas”.

O também presidente do Conselho Económico e Social (CES) não acredita, contudo, que a decisão do Tribunal Constitucional sobre uma ou outra norma inviabilize todo o documento ou abra uma crise política no país. “Pode não inviabilizar, pode levar a uma renegociação com a troika e o Orçamento ser ajustado. Tem que limpar as inconstitucionalidades e terá que adaptar o Orçamento a essa nova realidade”, justificou.

O antigo ministro do Emprego e da Segurança Social também rejeita uma ruptura no acordo entre o Governo de Passos Coelho e a concertação social por causa da redução das indemnizações por despedimentos, dizendo que “não vale o preço de correr esse risco”. Para Silva Peneda este é mais um incidente que “irá passar” e não terá consequências, considerando “determinante” ajuda que foi dada pelo Presidente da República, Cavaco Silva.

Silva Peneda reiterou, ainda, a importância de se investir no crescimento económico, apoiando por isso a ideia do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, de reduzir o IRC para 10%.

Desde o início do ano, vários foram os pedidos ou anúncios de pedidos de fiscalização sucessiva do Orçamento do Estado por parte do Tribunal Constitucional. O Presidente da República pediu a fiscalização de três artigos apenas, tal como o PS. São eles a suspensão dos subsídios de férias dos funcionários públicos e reformados e a contribuição extraordinária sobre as pensões acima dos 1350 euros.

Já a ala esquerda do Parlamento avançou com um total de dez normas para o Tribunal Constitucional. PCP, Bloco de Esquerda e Partido Ecologista os Verdes pediram a fiscalização dos artigos que se referem à alteração dos escalões do IRS e à sobretaxa de 3,5%, aos contratos de docência e de investigação, à redução do pagamento de trabalho extraordinário, aos artigos relacionados com as contribuições sobre as prestações de doença e desemprego e ainda a redução remuneratória. PS-Açores e PSD-Madeira pediram também ao TC que se pronunciasse sobre a sobretaxa de 3,5% nas contribuições de IRS.

Na terça-feira foi a vez do provedor de Justiça, Alfredo José de Sousa, que anunciou o pedido da fiscalização de dois artigos relativos à suspensão do pagamento do subsídio de férias de aposentados e reformados e à contribuição extraordinária de solidariedade de reformados e aposentados. “A contribuição extraordinária de solidariedade, nos moldes ora vigentes, consubstancia uma autêntica medida de redução de pensões e rendimentos equiparados, titulados por aposentados e reformados”, considera o provedor, citado em nota divulgada pelo gabinete de imprensa da provedoria.

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