PS vai abster-se nas moções de censura de PCP e BE

Seguro insistiu no “caminho alternativo” de conciliar rigor orçamental com crescimento económico

Seguro pediu ao PS que recusasse o voto a favor em qualquer das moções de censura ao Governo apresentadas pelo PCP e pelo BE. O partido disse “sim” e vai abster-se.

Na intervenção inicial com que a abriu a comissão política do partido, que contou com a participação dos deputados e terminou já perto da 1h da madrugada de hoje, António José Seguro justificou a recusa de votar ao lado das moções dos partidos à sua esquerda com a diferença de fundo do posicionamento face ao memorando da troika.

O deputado José Junqueiro revelou no final do encontro a posição do partido: O PS vai abster-se. O vice-presidente da bancada socialista disse mesmo que a abstenção “significa a afirmação de uma alternativa responsável, que foi assumida por unanimidade por toda a Comissão Política Nacional do PS e que teve a participação dos deputados do grupo parlamentar”.

Só que, alguns minutos depois, o líder da bancada parlamentar dos socialistas, Carlos Zorrinho, colocava no Twitter, uma versão menos clara da posição do partido: “Comissão Política do PS aprovou por unanimidade a decisão de não votar favoravelmente as moções de censura do PCP e do BE.”

Ou seja, uma versão que podia levar que o PS se pudesse abster numa moção de censura e votar contra noutra, votar contra as duas, ou abster-se em ambas.

Questionado pelo PÚBLICO via Twitter, Zorrinho respondeu: “Abstenção por uma alternativa responsável.”

Para o PS, disse Seguro na sua intervenção, há três “questões inegociáveis”: Portugal deve continuar na União Europeia e na zona euro, deve honrar as metas do memorando e deve pagar a dívida. “Quem não concordar com isto não pode contar com qualquer convergência do PS”, afirmou.

No entanto, também defendeu que o memorando se deve adaptar à realidade e que devem ser reduzidos os custos de financiamento do país, recuperando a ideia de que a taxa de juros deve ser reduzida. E insistiu no “caminho alternativo” de conciliar rigor orçamental com crescimento económico.

Mas Seguro sugeriu ainda outra razão para a falta de apoio do PS às moções de censura. Ao fazer uma leitura histórica destas iniciativas do BE e do PCP, lembrou que a maior parte das censuras apresentadas foram contra governos socialistas.

Mas o líder socialista fez questão de frisar a oposição do seu partido ao Governo, acusando-o em especial de ter vindo a desvalorizar o diálogo social, não falando com os partidos da oposição nem com os parceiros sociais sobre as suas propostas. E frisou, em particular, não ter sido informado sobre as medidas que o ministro das Finanças irá apresentar hoje em alternativa às mexidas na Taxa Social Única.

Notícia actualizada à 1h45

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