Seguro não esclarece se avança com moção de censura ao Governo

Líder do PS insiste que Governo não tem legitimidade para aplicar medidas do relatório do FMI.

Seguro não esclareceu se avança ou não com moção de censura ao Governo Daniel Rocha

O secretário-geral do PS avisou nesta sexta-feira o Governo que “não tem legitimidade” para aplicar as medidas que constam do relatório do FMI, mas não esclareceu se o partido poderá avançar com uma moção de censura.

 

 

 

“O primeiro-ministro deve ter bem presente as palavras que estou a dizer: Não tem mandato, nem o Governo tem legitimidade porque aquilo que está no relatório do FMI é ao contrário daquilo que o primeiro-ministro prometeu aos portugueses”, avisou António José Seguro, à margem de uma visita a uma fábrica de calçado do grupo Kyaia, em Paredes de Coura.
 
Contudo, escusou-se, perante a insistência dos jornalistas, a esclarecer se poderá avançar com uma moção de censura ao Governo, caso a maioria PSD/CDS-PP venha a implementar as medidas agora conhecidas.
Em causa estão as propostas de cortes na despesa incluídas no relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado na quarta-feira.
 
“Se não seguir esse caminho [agenda de crescimento defendida pelo PS], terei muito gosto em responder a essa pergunta, na altura”, afirmou Seguro, sustentando: “Os portugueses não votaram no FMI para governar Portugal”.
Hoje o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu que o Governo PSD/CDS-PP tem legitimidade para tomar todas as medidas, desde que elas respeitem a Constituição e a lei.
 
“O Governo não foi eleito apenas para executar o memorando de entendimento com a ‘troika’. O Governo foi eleito para governar o país de acordo com o seu próprio programa e de acordo com as necessidades que o país tem. O Governo tem, portanto, toda a legitimidade para vir a tomar todas as medidas que sejam necessárias para preparar o futuro do país, quaisquer que elas sejam, desde que elas sejam conformes à nossa Constituição e às nossas leis”, defendeu o primeiro-ministro, em conferência de imprensa, na sua residência oficial, em Lisboa.
 
Segundo Passos Coelho, “o Governo está legitimado para governar, essa é uma questão que não tem discussão”, e pretende cumprir o seu mandato até ao fim.
 
“Realizaram-se eleições há cerca de um ano e meio e o Governo, que é suportado pelos dois partidos que têm maioria parlamentar, está mandatado pelo povo português para cumprir o seu mandato de quatro anos, e esse é o nosso propósito”, afirmou.
 

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