Seguro: Europa tem de “passar das palavras aos actos” e combater desemprego

Líder socialista exige medidas concretas das instituições europeias em vez de apenas “belas declarações”, e reclama uma “solução europeia” para aos países com dívidas superiores a 60% do PIB.

Líder socialista português esteve dois dias em Leipzig a convite do SPD alemão e participou no lançamento da Aliança Progressista, uma nova estrutura socialista europeia Rui Gaudêncio

O secretário-geral do PS defendeu esta quinta-feira, em Leipzig, na Alemanha, que a Europa tem de “passar das palavras aos actos” e avançar com medidas concretas para combater o desemprego.

“É necessário passar das palavras aos actos, às medidas concretas e aí é que a Europa tem sido muito lenta. Produz belas declarações, mas depois quando chega a altura de agir anda sempre a correr atrás do prejuízo e é incapaz de estar à altura dos tempos”, afirmou António José Seguro em declarações aos jornalistas, à margem das comemorações dos 150 anos dos sociais-democratas alemães (SPD), que hoje decorrem na cidade alemã.

E estar à “altura dos tempos”, defendeu o secretário-geral do PS, “exige medidas concretas para combater o desemprego”, que considerou o “principal drama das sociedades atuais”.

António José Seguro termina esta quinta-feira uma visita de dois dias a Leipzig, a convite dos sociais-democratas germânicos, durante a qual participou na conferência fundadora da Aliança Progressista (uma nova estrutura a que o PS aderiu e que pretende ser complementar à Internacional Socialista) e numa reunião dos líderes socialistas europeus.

Nesta reunião, que decorreu na quarta-feira à noite, o secretário-geral do PS apresentou propostas para combater o desemprego juvenil e defendeu um reforço do papel do Banco Central Europeu (BCE).

António José Seguro disse que, no encontro, sublinhou também a necessidade de existir uma “solução europeia” para os casos dos países com dívidas superiores a 60% do Produto Interno Bruto (PIB).

Dos encontros que decorreram em Leipzig, o secretário-geral do PS disse que leva “uma maior sensibilidade para a situação portuguesa”. Afirmou ainda que tem a “responsabilidade” de “chamar a atenção para as dificuldades sociais e económicas” que Portugal enfrenta. “É isso que tenho feito nestes encontros bilaterais, para que haja uma maior sensibilidade no sentido de se olhar para Portugal e perceber-se que a disciplina e o rigor orçamental são fundamentais. Mas, volto a insistir, é necessário colocar a prioridade no emprego, apoiando as nossas PME [Pequenas e Médias Empresas]”, concluiu.

Questionado pelos jornalistas sobre as declarações de Jorge Sampaio, que afirmou que em Portugal a “situação está económica, financeira e politicamente bloqueada”, António José Seguro afirmou-se de acordo. “O país está bloqueado e nós precisamos de sair deste bloqueio através da expressão de um novo consenso nacional que existe e que o PS lidera”, disse António José Seguro realçando “não conhecer as palavras” de Sampaio.

O líder socialista acrescentou que este consenso “exige compromissos” que têm de ser “feitos às claras, com transparência e depois de os portugueses se pronunciarem, para lhe dar uma legitimidade democrática e uma força que neste momento já não existe com um governo que está desacreditado e descredibilizado”.

Esta foi a segunda deslocação de António José Seguro à Alemanha desde que foi eleito secretário-geral do PS, em 2011. Nesta visita a Leipzig, Seguro esteve acompanhado pelo secretário nacional para as relações internacionais e cooperação do PS, João Ribeiro.
 

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